Tailândia

A salvo e no hospital, rapazes resgatados não podem beijar os pais. Porquê?

A salvo e no hospital, rapazes resgatados não podem beijar os pais. Porquê?

Desde domingo já foram resgatados oito dos treze jovens que ficaram presos nas grutas de Tham Luang, em Chiang Rai, no norte da Tailândia. Foram encaminhados para o hospital onde estão a recuperar. Já podem ver os familiares, mas não os podem abraçar nem beijar. Tudo por causa das doenças que podem ter contraído no interior da gruta.

Apesar de todas as notícias darem conta de que os oito rapazes resgatados do interior da gruta, em Chiang Rai, estão bem, há um pormenor que preocupa os médicos. Depois de quase duas semanas fechados na gruta, sem acesso a luz e comida, os médicos temem que os rapazes tenham contraído infeções.

A leptospirose é uma das doenças que mais preocupa os especialistas. Trata-se de um problema que pode resultar em insuficiências renais. A histoplasmose é provocada por um fungo que invade o corpo humano através das vias respiratória e fica alojado nos pulmões. O consumo de água doce com fezes de animais, tal como a que beberam no interior da gruta, aumenta o risco desta doença. As grutas são habitualmente habitadas por morcegos que podem transmitir o vírus da raiva, outro dos problemas de saúde que está a deixar os médicos preocupados.

Aos jornalistas presentes no local, os responsáveis pelo acompanhamento médico dos jovens resgatados explicaram que os pais não vão poder abraçar ou beijar os filhos até serem conhecidos os resultados dos exames feitos ao sangue. O objetivo passa por despistar qualquer uma das infeções.

Também a nível psicológico são mais as incertezas do que as certezas. Depois de terem passado tanto tempo fechados, sem contacto com outras pessoas, há riscos que devem ser tidos em conta. Ao JN, Pedro Morgado, psiquiatra e professor da Escola de Medicina da Universidade do Minho, disse que as dificuldades que os jovens poderão encontrar no "mundo real", depois de estarem confinados a uma gruta durante vários dias, "depende de uma multiplicidade de fatores que incluem aspetos culturais, características prévias da personalidade e (...) a perceção individual do risco em que estão envolvidos". Para o psiquiatra, o incidente "seguramente terá um impacto significativo na vida" dos rapazes.

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