Nova Zelândia

"Ele não queria ninguém vivo". Sobreviventes em choque com ataque

"Ele não queria ninguém vivo". Sobreviventes em choque com ataque

Quem sobreviveu ao ataque terrorista desta sexta-feira nas mesquitas Al Noor, em Hagley Park, e Linwood Masjid, na Nova Zelândia, descreve em choque o massacre mais mortífero da história do país.

Alguns rezaram e esperaram que o atacante esgotasse as munições, outros correram pelas vidas quando ouviram os tiros, de acordo com os relatos dos sobreviventes do tiroteio desta sexta-feira, durante as orações. "Tudo isto simplesmente não parece real", disse uma testemunha.

Citada sob anonimato pela CNN, esta sobrevivente conta o momento em que tudo começou. "Eu virei-me para abrir a porta da casa de banho e começaram a disparar. Eu só perguntei 'o que se está a passar?'". Só conseguiu fugir porque partiu uma janela, enquanto os disparos continuavam.

O atirador estava armado com pelo menos uma arma de fogo semiautomática, e quando se encontrava no interior, começou a atirar indiscriminadamente. As pessoas, encolhidas nos cantos de uma sala, foram todas baleadas quando o atirador bloqueou o corredor, para que ninguém conseguisse escapar. "Ele não queria ninguém vivo", assegurou um sobrevivente, citado pela BBC.

O ataque, que durou cerca de 10 a 15 minutos, começou na sala principal de oração da mesquita, e de seguida, dirigiu-se para a secção feminina. "Eu estava na sala ao lado, não vi quem estava a disparar, porém vi que algumas pessoas estavam correr para o local onde estava. Vi algumas pessoas com sangue e a coxear", disse outra testemunha, citada pelo "The Guardian".

"Ouvia gritos e choro, vi algumas pessoas a morrerem, outras a fugir, eu estava numa cadeira de rodas, por isso não conseguia chegar a nenhum lugar", relatou um sobrevivente. "Vi as balas no chão, centenas delas", acrescentou.

Entre as vítimas estão crianças e mulheres. Uma testemunha afirma ter visto um homem, baleado na perna, com a filha, de três ou quatro anos, que havia sido baleada nas costas, segundo a CNN.

Outro relato, citado pela mesma fonte norte-americana, afirma ter rezado para que o atirador ficasse sem balas. "Só pensava que ele teria de ficar sem balas, eventualmente, por isso, limitei-me a esperar e a rezar a Deus para que [o atacante] esgotasse as munições". A mesma pessoa diz ter visto um dos atiradores a pedir a um homem para ficar sossegado antes de o ter baleado no peito.

Rosemary Omar ainda aguarda notícias do filho de 24 anos, Tariq. Ela tinha acabado de o deixar à porta de um dos locais de culto e quando chegou ao parque de estacionamento ouviu vários tiros. Regressou imediatamente à porta principal da mesquita onde viu corpos amontoados. "O nosso filho não atende o telefone", contou.

O massacre provocou pelo menos 49 mortos e 48 feridos. Quatro pessoas foram detidas na sequência dos ataques na cidade de Christchurch e uma delas foi acusada de homicídio.

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