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Camiões com ajuda humanitária incendiados na Venezuela

Camiões com ajuda humanitária incendiados na Venezuela

Dois camiões que transportavam ajuda humanitária para a Venezuela foram incendiados, na ponte Francisco de Paula Santander, junto à fronteira com a Colômbia. Este sábado era a data limite apontada por Guaidó para a entrada no país de 14 camiões e 200 toneladas de bens essenciais.

O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, publicou, no Twitter, imagens de um camião incendiado, acusando o "regime usurpador" de perpetrar os "atos mais desprezíveis". "Os nossos corajosos voluntários estão a fazer uma corrente para protegerem alimentos e medicamentos. A avalanche humanitária é imparável", rematou.

A agência de notícias France-Presse (AFP) também deu conta do caso, citando uma deputada da oposição a Maduro. "Incendiaram dois dos quatro camiões que se encontravam em território venezuelano", disse aos jornalistas a opositora, que se encontrava junto à ponte Francisco de Paula Santander.

De acordo com a "TV Venezuela Noticias", que exibiu imagens em direto do local, o incêndio foi provocado por militares da Guarda Nacional Venezuelana.

285 feridos em confrontos na fronteira com a Colômbia

Militares venezuelanos lançaram bombas de gás lacrimogéneo para dispersar manifestantes que tentavam chegar à ponte Simón Bolívar, em San Antonio Táchira (este), na fronteira com a Colômbia, para exigir a entrada de ajuda humanitária. De acordo com o governo colombiano, 285 pessoas ficaram feridas nos confrontos.

60 militares/polícias desertaram

Segundo a AFP, a deserção de major-general Hugo Parra Martinez, junto à fronteira com a Colômbia, fez subir para 60 os militares/polícias que abandonaram Maduro e chegaram à Colômbia. O anúncio foi feito pela autoridade migratória, no meio de uma escalada de tensões provocada pela entrada de camiões com ajuda humanitária na Venezuela.

Maduro corta relações com a Colômbia

"Decidi romper todas as relações políticas e diplomáticas com a Colômbia. Não se pode aceitar que continuem a disponibilizar o território colombiano para provocações contra a Venezuela", disse o presidente venezuelano, em Caracas, perante milhares de simpatizantes que, este sábado, marcharam em defesa da revolução bolivariana.

"Todos os embaixadores e cônsules da Colômbia têm 24 horas para sair da Venezuela", frisou.

Segundo Nicolás Maduro, a pretexto da ajuda humanitária que a oposição do país está a tentar fazer entrar no país, está em curso um golpe promovido pela direita da Venezuela com o apoio internacional, mas que foi derrotado pela "união cívil-militar" nacional.

"Estou a avaliar o que fazer com a nossa fronteira, porque não vamos tolerar isso. Vocês sabem que não temo nada. Não me treme o pulso", garantiu.

A rutura de relações tem lugar depois de o ministro de Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, ter acusado os EUA e a Colômbia de violarem a Carta das Nações Unidas.

"Os Governos dos EUA e da Colômbia violaram praticamente todos os princípios e propósitos da carta da ONU. A comunidade mundial está a vê-los e não sei se a ONU vai tomar as ações correspondentes", escreveu o governante na sua conta da rede social Twitter.