Tensão

Irão abandona acordo nuclear de 2015

Irão abandona acordo nuclear de 2015

O Irão anunciou, em comunicado, que deixará de se reger pelos limites do acordo nuclear de 2015 e que não respeitará os limites impostos ao número de centrifugadoras para enriquecer urânio.

"A República Islâmica do Irão vai pôr termo as limitações ainda existentes no acordo nuclear, isto é, o número de centrifugadoras", lê-se num comunicado divulgado este domingo.

"Assim, o programa nuclear iraniano não terá limitações na produção, incluindo a capacidade de enriquecimento e a percentagem e a quantidade de urânio enriquecido, assim como a sua expansão", lê-se ainda no comunicado, divulgado este domingo pelo jornal norte-americano "The New York Times".

No mesmo documento, o governo iraniano mostra-se disponível para continuar a cooperar com a Agência Atómica Internacional e a regressar ao acordo se as sanções forem removidas e os interesses do Irão garantidos.

O anúncio vem na sequência de uma série de passos dados pelo Irão para se afastar dos termos do acordo, quase dois anos após Donald Trump ter retirado os EUA do compromisso, impondo duras sanções à economia iraniana.

A tensão entre os Estados Unidos e o Irão aumentou na sequência da morte do comandante da força de elite iraniana al-Quds, Qassem Soleimani, vítima na sexta-feira de um ataque aéreo contra o aeroporto internacional de Bagdade que o Pentágono declarou ter sido ordenado pelo Presidente dos Estados Unidos.

O ataque ocorreu três dias depois de um assalto inédito à embaixada norte-americana que durou dois dias e apenas terminou quando Trump anunciou o envio de mais 750 soldados para o Médio Oriente.

O ataque já suscitou várias reações, tendo quatro dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas - Rússia, França, Reino Unido e China - alertado para o inevitável aumento das tensões na região e pedido às partes envolvidas que reduzam a tensão. O quinto membro permanente do Conselho de Segurança da ONU são os Estados Unidos.

No Irão, o sentimento é de vingança, com o Presidente e os Guardas da Revolução a garantirem que o país e "outras nações livres da região" vão vingar-se dos Estados Unidos.

Também o líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei, prometeu vingar a morte do general e declarou três dias de luto nacional, enquanto o chefe da diplomacia considerou que a morte como "um ato de terrorismo internacional".

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