Relatório

Mais de 27 mil migrantes largados no mar Egeu pela Grécia e Frontex

Mais de 27 mil migrantes largados no mar Egeu pela Grécia e Frontex

Nos últimos dois anos, foram registados 1018 incidentes que incorrem na expulsão ilegal de requerentes de asilo. Guarda Costeira da Grécia abandonou 26 pessoas sem que estas tivessem acesso a materiais de flutuação.

O movimento Democracy in Europe Movement 2025 (DiEM25) divulgou um relatório da Forensic Architecture / Forensis, uma agência de investigação localizada em Goldsmiths, na Universidade de Londres, onde expõe o abandono ilegal de 27 464 requentes de asilo no mar Egeu, acusando a Grécia e a Frontex, a Agência Europeia de Vigilância das Fronteiras, de expulsar de forma "sistemática e generalizada" as pessoas das embarcações.

Entre março de 2020 e março de 2022, foram registados 1018 incidentes, sendo que pelo menos 378 deles ocorreram ao largo da costa da ilha de Lesbos, localizada no nordeste do mar Egeu. Em 16 casos documentados, os migrantes foram intercetados em águas gregas antes de serem levados para a fronteira e, posteriormente, atirados à deriva, refere o relatório.

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Consta ainda que a Guarda Costeira da Grécia abandonou 26 pessoas no mar Egeu, sem que estas tivessem acesso a qualquer tipo de meio de flutuação, sendo que em dois destes casos, os indivíduos foram encontrados algemados, não podendo assim nadar em caso de necessidade. Pelo menos onze pessoas morreram nestas circunstâncias e quatro foram dadas como desaparecidas.

Por sua vez, a Frontex, refere o documento, terá estado diretamente envolvida em 122 casos de "drift-backs" (situações de abandono de requentes de asilo) através da deteção dos navios que chegavam e do alerta das autoridades gregas, ao mesmo tempo que tem conhecimento de 417 incidentes deste tipo, tendo-os registado nos próprios arquivos de forma disfarçada.

Embora os responsáveis da Frontex e o Executivo grego tenham vindo a negar as acusações de que têm sido alvo nos últimos anos, "o estudo ergue um muro de provas contra as negações cada vez mais vazias do Governo grego", destaca Stefanos Levidis, investigador da Forensic Architecture / Forensis. O responsável refere ainda que "a Guarda Costeira Grega utiliza cinicamente equipamento de salvamento ao contrário, para negar o acesso à segurança a milhares de requerentes de asilo, deixando-os à deriva para as correntes marítimas".

Já Milena Marin, diretora do gabinete de Crise da Amnistia Internacional, destaca a importância da investigação, que, ao ceder provas, espelha "a natureza sistemática e generalizada da prática", que é agora "inegável".

No mês passado, a Organização das Nações Unidas (ONU) já tinham acusado a Grécia de criar uma "atmosfera de medo" para coagir possíveis requerentes de asilo. "A abordagem atual do Governo é definida pela sua conceção da migração como uma questão de segurança e prevenção", acusou a relatora especial da ONU sobre a situação dos defensores dos direitos humanos, Mary Lawlor.

A dirigente referiu ainda que muitos daqueles que tentam documentar a evitar as expulsões ilegais "são particularmente ameaçados". A situação já levou a União Europeia e o Alto-Comissariado dos Refugiados da ONU a pediram um inquérito sobre o assunto.

Desde a sua eleição, há três anos, o Governo de Kyriakos Mitsotakis reforçou os controlos nas fronteiras com a Turquia, com a ajuda da Frontex, tendo vindo a congratular-se pela decisão, referindo que está a contribuir para limitar as entradas de migrantes ilegais na Europa.

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