Incêndios

Milhares de camelos abatidos na Austrália para proteger comunidades Aborígenes

Milhares de camelos abatidos na Austrália para proteger comunidades Aborígenes

A seca e os fogos que ameaçam grande parte da Austrália levam milhares de camelos a vaguear junto de cidades e aldeias à procura de água. As autoridades têm cinco dias - desta quarta-feira até domingo - para eliminar alguns destes animais para manter a segurança.

As comunidades Aborígenes, na zona noroeste da Austrália Meridional, alertaram as autoridades para o elevado número de camelos que apareceram em zonas habitadas. Os animais, desesperados por água, podem ser uma ameaça para os seres humanos.

"Grupos extremamente grandes de camelos e outros animais selvagens dentro e ao redor das comunidades estão a pressionar localidades Aborígenes remotas", lê-se num comunicado, publicado no Facebook, assinado pelo governo local de ​​​​​​​Anangu Pitjantjatjara Yankunytjatjara (APY).A área é ocupada por menos de três mil pessoas, essencialmente de comunidades Aborígenes.

10 mil animais ameaçados

A medida foi tomada depois de várias tentativas de controlo destes animais terem falhado. Além dos riscos que comportam para os seres humanos, a decisão visa igualmente proteger os animais, muito deles doentes e a morrerem à sede, e os cursos de água, contaminados com os cadáveres dos animais.

Na mira das autoridades estão cerca de 10 mil camelos selvagens. A operação, que arrancou esta quarta-feira e que se prolongará até domingo, é encabeçada por especialistas do governo que vão operar a partir de helicópteros. Na mira das autoridades estão também cavalos selvagens.

Os camelos, tal como escreve a BBC, não são originários da Austrália, e foram levados para aquele território pelos britânicos, de países como a Índia ou Afeganistão no século 19. Tratando-se de animais selvagens, podem danificar cercas, equipamentos agrícolas e bebem elevadas quantidades de água.

Sacrifício de animais na Austrália

Apesar de drástica, está não é a primeira vez que uma medida destas é levada a cabo na Austrália. Em 2013, cerca de dez mil cavalos foram abatidos. Tal como agora, a tática usada foi disparos de helicópteros. O abate dos cavalos selvagens foi justificado pelas autoridades australianas como forma de evitar que morram de fome e de sede, causando a degradação dos terrenos no norte do país.

Já este ano, as autoridades australianas tinham anunciado guerra aos gatos. Com veneno, armas de fogo e armadilhas, o objetivo da matança é proteger a vida selvagem endógena. Os gatos ocupam cerca de 99% do território australiano e serão responsáveis pela extinção de pelo menos 22 espécies autóctones, entre pequenos roedores, marsupiais e aves autóctones.

Matança no meio da crise

Os incêndios que nas últimas semanas assolaram a Austrália fizeram 24 mortos e destruíram pelo menos 1300 casas. Trovoadas secas combinadas com temperaturas altas formam uma combinação perigosa, devastando grandes áreas florestais. Só em Nova Gales do Sul, os fogos destruíram já mais de cinco milhões de hectares, uma área maior do que os Países Baixos, de acordo com a estimativa mais recente dos Serviços de Incêndios Rurais (RFS) australianos.

As autoridades acreditam que o número de animais mortos em consequência dos fogos ultrapasse já os milhões. Só na região de Nova Gales do Sul, as chamas foram responsáveis pela morte de 30% da população de coalas.

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