Reino Unido

Mais uma dor de cabeça para Boris Johnson: dois ministros demitem-se

Mais uma dor de cabeça para Boris Johnson: dois ministros demitem-se

Desacordo com o chefe do Executivo britânico levou dois membros do Governo a baterem com a porta. Conduta sexual de deputado é o novo escândalo.

Os ministros da Saúde e das Finanças do Reino Unido, Sajid Javid e Rishi Sunak, demitiram-se esta terça-feira em dissidência com Boris Johnson, condenando a postura do primeiro-ministro britânico face aos escândalos sexuais que envolvem o deputado Chris Pincher e que o levaram a demitir-se da vice-presidência da bancada parlamentar do Partido Conservador, na semana passada. O líder dos conservadores nomeou Pincher para o cargo mesmo conhecendo as alegações de assédio que lhe eram imputadas há vários anos. E nem o pedido de desculpas que hoje improvisou, reconhecendo que não deveria tê-lo nomeado, foi suficiente para travar um abanão no Executivo e no Partido Conservador (um dos vice-presidentes, Bim Afolami, já renunciou ao cargo). A Sky News avançou que os ministros da Economia, Defesa e Interior não tencionam demitir-se, mas a ameaça de debandada continua em cima de uma mesa há muito fragilizada.

Ministro da Saúde pede "humildade" a Boris

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"Tem sido um enorme privilégio servir nesta função, mas lamento não poder continuar em boa consciência", informou Sajid Javid numa dura missiva em que dá conta da saída. "O tom que se estabelece como líder e os valores que se representa refletem-se nos colegas, no partido e, em última instância, no país", escreveu o ministro da Saúde demissionário, substituído por Steve Barclay, até agora responsável pela coordenação do governo, considerando que os conservadores "nem sempre foram populares, mas sempre foram competentes em agir pelo interesse nacional". "Agora não somos nem uma coisa, nem outra", apontou Javid, que abandona pela segunda vez um Executivo de Boris Johnson, ainda debaixo da nuvem do Partygate, escândalo político causado pela realização de festas na residência do primeiro-ministro e em dependências do Governo durante a pandemia, em violação das regras de saúde pública então em vigor.

"Não podemos continuar assim"

Rishi Sunak, que larga a pasta das Finanças numa altura de especial complexidade em que "o Mundo sofre as consequências da pandemia e da guerra na Ucrânia", recorda ter sido leal ao chefe de Governo mesmo quando estavam em desacordo, mas, em jeito camoniano, defendeu a necessidade de renunciar por valores mais altos que se levantam. "O público espera, com razão, que o Governo seja liderado de forma adequada, competente e séria", defendeu Sunak na carta de demissão, tornada pública, em que admite que este tenha sido "o último cargo ministerial" da sua vida. "Tenho pena de deixar o Governo, mas concluí, com relutância, que não podemos continuar assim", concluiu Sunak, substituído no cargo pelo até agora ministro da Educação, Nadhim Zahawi.

Apalpou vários homens numa festa

Chris Pincher demitiu-se do cargo de vice-presidente da bancada parlamentar do Partido Conservador no dia 30 de junho, quinta-feira, depois de uma noite em que apalpou vários homens numa festa. "Na noite passada bebi demais. Envergonhei-me a mim e a outras pessoas", admitiu na carta de demissão, pedindo desculpa aos envolvidos.

Entretanto, nos dias seguintes ao anúncio, surgiram seis novas acusações de conduta sexual imprópria sobre outros deputados, nomeadamente no bar da Câmara dos Comuns e no gabinete do próprio Pincher. Um dos visados ter-se-á queixado, com pormenores, ao gabinete de Johnson, em fevereiro passado, criticando a escolha para vice-líder da bancada. Dominic Cummings, ex-chefe de gabinete do primeiro-ministro e atualmente um dos seus maiores críticos, acusa Johnson de, em 2020, ter troçado da fama do deputado acusado. "Pincher de nome e pincher de natureza", terá dito, num comentário jocoso em referência à conhecida raça de cães, conhecidos por serem saltitões.

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