Lesbos

"Ouvi crianças a dizer que queriam morrer". Um relato sobre os refugiados na Grécia

"Ouvi crianças a dizer que queriam morrer". Um relato sobre os refugiados na Grécia

"Ouvi crianças com sete e oito anos a dizer que queriam morrer. Nunca pensei que algum dia fosse ouvir tal coisa". O relato, frio e duro como a realidade dos refugiados, é de Angela Modarelli, psicóloga italiana dos Médicos Sem Fronteiras no campo de Moria, na ilha de Lesbos, na Grécia.

Numa reportagem de vídeo da BBC em Lesbos, Angela Modarelli relata o dia-a-dia das crianças a quem dá consultas de psicologia e os casos de sofrimento e desespero que ouve durante o seu trabalho.

De acordo com psicólogos que trabalham naquela ilha, há um número cada vez maior de crianças que se mutilam ou tentam suicidar em Moria, o maior campo de refugiados da Europa, ocupado em grande parte por sírios. O espaço foi construído em 2015 e tem atualmente perto de 18 mil pessoas, apesar de ter sido pensado para apenas 2000. Nos últimos meses, houve um aumento de refugiados nas ilhas do Mar Egeu, muitos dos quais são famílias que estão a fugir da guerra.

Especialista em problemas psicológicos infanto-juvenis, Angela trabalha para ajudar as crianças que vivem no campo, auxiliada por voluntários e professores. Mas a ajuda ainda não chega. Angela não tem uma equipa suficiente para ajudar. No vídeo, que contém imagens que podem ferir suscetibilidades, há uma cena que mostra os Médicos Sem Fronteiras a serem chamados à Clínica Pediátrica e a psicóloga conta que um adolescente tinha "começado a magoar-se" e a dizer que lhe apetecia repetir "porque o fazia sentir-se melhor".

"As crianças em idade pré-escolar batem com a cabeça na parede consecutivamente ou então arrancam os cabelos. Os que têm entre 12 e 17 anos fazem mal a eles mesmos, mutilam-se e começam a falar do desejo de morrer", conta Angela à BBC. Para a psicóloga italiana, a única solução neste momento é tentar "reconstruir as memórias de estabilidade e segurança e fortalecer a parte da personalidade que ainda está lá, que ainda subsiste".

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