Energia

Parlamento Europeu aprova gás natural e energia nuclear como recursos "verdes"

Parlamento Europeu aprova gás natural e energia nuclear como recursos "verdes"

O Parlamento Europeu aprovou a inclusão do gás natural e da energia nuclear como atividades ambientalmente sustentáveis, depois de ter chumbado uma moção de censura que se opunha à inserção destes recursos no Ato Delegado sobre a Taxonomia da União Europeia (UE). Na votação, 278 deputados votaram a favor da resolução, 328 contra e 33 abstiveram-se.

Numa altura em que a UE está a tentar combater a dependência energética da Rússia, os eurodeputados abriram a porta à inclusão do gás natural e da energia nuclear como investimentos que podem ser rotulados como fontes de energia verdes, sendo, por isso, essenciais na luta contra as alterações climáticas.

Em janeiro deste ano, a Comissão Europeia apresentou um plano que incluía o gás natural e a energia nuclear como atividades sustentáveis, porém, ao longo dos últimos meses, o PE mostrou-se dividido quanto à aprovação destes recursos para a taxonomia do bloco comunitário - o que foi visível nos resultados da votação desta quarta-feira, em que 278 dos deputados se mostraram favoráveis à moção de censura a ser debatida.

Em declarações ao JN, o eurodeputado português Francisco Guerreiro revelou que votou a favor da moção em votação, posicionando-se contra a proposta da Comissão Europeia. "Foi um passo atrás que se deu no Parlamento Europeu", assinalou.

Ao considerar que a UE não tem nada a beneficiar com esta decisão, realça que, no caso de Portugal, os ganhos são ainda menores. "Temos uma longa história de luta contra o nuclear, não temos centrais nucleares e não queremos estar dependentes de outros países", reitera.

Para o deputado independente, a solução passaria por descentralizar a produção de energias renováveis que "são muito mais eficientes", destacando como melhores opções a energia solar, hídrica e eólica.

Apesar de a proposta ter avançado, o PE deixou claro que a inclusão das atividades económicas deverá ser feita sob determinadas condições, de modo a não prejudicar os princípios climáticos que os estados-membros da instituição seguem. No caso das centrais nucleares, uma das condições para obterem a nova classificação passa por garantir que não emitem CO2, enquanto as de gás têm de fazer uso das tecnologias mais recentes.

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"Uma vez que a Comissão acredita que o investimento privado em gás e atividades nucleares tem um papel na transição verde, propôs a classificação de certas atividades de gás fóssil e energia nuclear como atividades transitórias que contribuem para a mitigação das alterações climáticas", refere um comunicado do PE, no qual se pode ainda ler que "a inclusão de determinadas atividades é limitada no tempo e depende de condições específicas e requisitos de transparência".

Embora a instituição presidida por Roberta Metsola reitere que a decisão faz parte de um processo para evitar procedimentos menos viáveis que poderiam incorrer numa "lavagem verde", várias associações ativistas mostram-se contra a inclusão de gás natural e energia nuclear na taxonomia da UE.

Na tarde de terça-feira, um grupo de manifestantes juntou-se em frente ao Parlamento Europeu, em Estrasburgo, onde apelava a que a proposta não avançasse, insistindo numa opção que passe pelo recurso a energias renováveis. Já esta quarta-feira, presentes nas galerias do hemiciclo, os ativistas ambientais contestaram a decisão dos eurodeputados, classificando-a como uma "traição".

O Ato Delegado de Taxonomia tem em vista o aumento do investimento privado em projetos de gás natural e de energia nuclear e vai entrar em vigor a partir de 1 de janeiro de 2023, caso o Parlamento ou Conselho Europeu não se oponham à proposta até 11 de julho de 2022.

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