Pandemia

"Precisamos de ajuda": marcha-atrás da Suécia não trava caos nas mortes e doentes graves

"Precisamos de ajuda": marcha-atrás da Suécia não trava caos nas mortes e doentes graves

Pela primeira vez durante a pandemia, na terça-feira, 99% das unidades de cuidados intensivos na região de Estocolmo foram preenchidas. Isto semanas depois de o país ter começado a inverter a controversa estratégia inicial.

As unidades de cuidados intensivos dos hospitais de Estocolmo atingiram, pela primeira vez desde o início da pandemia, 99% de capacidade. No dia seguinte, quarta-feira, só havia entre cinco a sete vagas disponíveis na capital sueca, de um total de 160, reporta o jornal "Aftonbladet".

O cenário foi, no mesmo dia, descrito pelo diretor de Serviços Médicos e de Saúde de Estocolmo, Bjorn Eriksson, com a frase "precisamos de ajuda". Em conferência de imprensa citada pela Reuters, disse que a situação "é muito séria" e que a região foi "consideravelmente mais atingida" pela pandemia do que outros grandes centros urbanos. "Mobilizámos tudo o que podíamos e demos tudo o que tínhamos a dar, para que todos recebessem o atendimento de que precisam. Agora precisamos de continuar a fazer o nosso melhor, todos os atores da sociedade como um todo, para oferecermos resistência ao vírus e à pandemia."

"Era exatamente esta evolução que não queríamos ver. Isto mostra que nós, habitantes de Estocolmo, estivemos muito em multidão e com muitos contactos fora de casa. Os cuidados de saúde estão agora sob tanta pressão que não há grandes margens no sistema de saúde", admitiu o responsável.

Björn Persson, que gere o serviço de cuidados intensivos do Hospital Universitário Karolinska, em Estocolmo, disse mesmo, ao jornal "Dagens Nyheter", que, se chegarem mais pacientes do que os que a unidade pode receber, os profissionais de saúde terão de encontrar lugar para eles noutros sítios. "A terapia intensiva é a última rede de segurança, por isso esta é uma situação muito séria", confessou, dando conta de que o hospital tem agora 89 pacientes covid em terapia intensiva, 825 em enfermaria e uma equipa sobrecarregada, obrigada a fazer várias horas extra. Além do Karolinsa, também o hospital Södersjukhuset está agora a abrir postos de cuidados intermediários.

Marcha-atrás não impediu agravamento

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Desde o início, a Suécia adotou uma abordagem controversa no combate à pandemia, evitando regras sobre confinamento, confiando nos cidadãos para seguirem voluntariamente precauções como o distanciamento social, e privilegiando o conceito de imunidade coletiva. Mas, no final de junho, o número de mortes por milhão de habitantes excedeu em muito o dos países vizinhos - a Suécia regista até à data 7354 mortes por covid-19, face às 382 da Noruega, 918 da Dinamarca e 442 da Finlândia (ainda que o país tenha quase o dobro da população do que os vizinhos, os números não são proporcionais).

Em setembro, o número de casos começou a aumentar e, em novembro, o país registou números de infetados com novos máximos todos os dias. A mudança de paradigma levou a uma mudança de estratégia: o Governo sueco começou, nas últimas semanas, a impor medidas mais rígidas, como o fecho parcial de bares e restaurantes e a proibição de venda de bebidas alcoólicas, a partir das 22 horas. Além disso, cinco das 21 regiões do país estão agora sob diretrizes mais apertadas que exortam os cidadãos ao distanciamento social. Na semana passada, o primeiro-ministro, Stefan Lofven, também anunciou que as escolas de ensino básico passariam a funcionar com aulas à distância durante o resto do ano.

Ainda assim, a Agência de Saúde Sueca - em grande parte por detrás da estratégia de não-confinamento da Suécia - continua a abster-se de recomendar máscaras. Isto depois de a Organização Mundial da Saúde ter dito que, nos locais onde a pandemia estava a crescer, as pessoas deveriam usar sempre máscara em espaços fechados sem ventilação adequada.

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