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Rússia admite considerar sanções como atos de agressão

Rússia admite considerar sanções como atos de agressão

O vice-chefe do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitri Medvedev, avisou, esta sexta-feira, que as sanções "ilegais" contra Moscovo podem vir a ser interpretadas como atos de agressão, que podem ser respondidos com atos de defesa.

"Sob certas circunstâncias, sanções ilegais podem ser qualificadas como um ato de agressão internacional por alguns países ou pelas suas alianças", escreveu Medvedev, na rede social Telegram.

Isso pode suceder se as sanções se destinarem, antes de mais, a destruir a independência económica e a soberania do Estado, bem como ameaçar "a própria existência do Estado", acrescentou Medvedev, que foi Presidente da Rússia em 2008-2012. As sanções recentemente adotadas contra a Rússia são ilegais e fazem parte de uma "guerra híbrida", denunciou Medvedev, e representam "uma clara violação dos direitos da Federação Russa".

"Em suma, como dizem os nossos opositores, trata-se de uma declaração de guerra económica. Neste caso, o Estado que sofreu a agressão, ou seja, a Rússia, tem direito à defesa individual e coletiva no âmbito da legislação nacional e internacional", concluiu o vice-chefe do Conselho de Segurança da Rússia. "Que ninguém duvide de que a Rússia usará esse direito nas formas e margens que julgar apropriadas", avisou Medvedev.

O ex-presidente russo previu ainda que as sanções, "pela sua magnitude e cinismo", causarão "o colapso de todas as instituições internacionais, incluindo, em primeiro lugar, a ONU". Medvedev disse ainda que as medidas podem ser contraproducentes.

"O resultado dessa pressão costuma ser o oposto: ocorre a consolidação da sociedade civil à volta do poder. O regime político fortalece-se", explicou. "As sanções ilegais, como tudo neste mundo, são temporárias e terminarão em algum momento. O seu resultado será uma ordem internacional destruída e consequências gravíssimas para a economia mundial e para a vida de alguns países", avisou ainda o líder russo.

Rússia vai redireccionar vendas de carvão e não antevê dificuldades

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A Rússia disse ainda que vai redirecionar as suas vendas de carvão, após a União Europeia decidir que, a partir de agosto, deixa de comprar este combustível, em mais uma sanção a Moscovo pela guerra na Ucrânia. "As vendas de carvão, à medida que a Europa deixar o comprar, o que está calendarizado pelo que sei, serão reorientadas para mercados alternativos", explicou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, numa conferência de imprensa.

Sublinhou que, " o carvão continua a ser uma mercadoria altamente procurada", deixando a ideia de que a Rússia não espera ter grandes dificuldades em encontrar novos mercados ou em expandir os existentes fora do continente europeu.

Na quinta-feira, o vice-primeiro-ministro russo Alexandr Novak tinha anunciado que as exportações poderiam ser redirecionadas para a região Ásia-Pacífico e advertiu que há países europeus que têm uma dependência significativa do carvão russo e aos quais será difícil abdicar do fornecimento russo.

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