Ucrânia

Russos em retirada estarão a usar crianças como "escudos humanos"

Russos em retirada estarão a usar crianças como "escudos humanos"

A Ucrânia acusa as forças russas de estarem a usar crianças como "escudos humanos" enquanto reagrupam as suas tropas, numa altura em que emergem, de parte a parte, vários relatos angustiantes de potenciais crimes de guerra.

"Os inimigos têm usado crianças ucranianas como escudo humano ao moverem os seus veículos. Têm-nas usado como reféns, colocando-as nos seus camiões. Estão a fazer isso para proteger os veículos em movimento", denunciou o porta-voz do Ministério da Defesa da Ucrânia, que foi uma das vozes do lado ucraniano a fazer-se ouvir sobre os vários "casos de comportamento brutal contra menores" que estarão a ser "registados e documentados por instituições ucranianas e internacionais".

Citado pelo "The Guardian", o coronel Oleksandr Motuzyanyk enfatizou que as informações relativas a cada caso serão fornecidas aos tribunais criminais nacionais e que "os ocupantes serão levados à Justiça por todos os crimes militares e de guerra que cometem". As denúncias, asseverou, já levaram a procuradora-geral da Ucrânia, Iryna Venediktova, a reunir um dossiê com alegações sobre militares russos que estarão a refugiar-se atrás de menores para evitarem ser atacados à medida que se retiram das cidades ocupadas.

Na vila de Novyi Bykiv, nos arredores de Chernihiv, onde na semana passada as forças russas prometeram reduzir a atividade militar, autocarros cheios de crianças terão sido colocados em frente a tanques militares, escreve o jornal britânico. E, em vários pontos de conflito por todo o país, menores estarão a ser feitos reféns como garantia de que os habitantes locais não forneçam as coordenadas dos movimentos russos às forças ucranianas. "Casos de uso de crianças como escudos humanos estão a ser registados nas regiões de Sumy, Kiev, Chernihiv e Zaporíjia", confirmou Lyudmila Denisova, comissária de Direitos Humanos do Parlamento ucraniano.

Civis abatidos, minas e torturas

PUB

Relatos e testemunhos sobre alvos ucranianos que podem configurar crimes de guerra vão-se amontoando, à medida que as forças ucranianas tomam as cidades até agora sob comando russo. No final da semana, depois de exaltar a recuperação, por parte das tropas ucranianas, de cerca de 30 cidades e vilas, o presidente ucraniano denunciou que as forças russas em retirada ao redor de Kiev estavam a deixar um rasto de "completo desastre", ao armadilharem com minas casas, equipamentos e corpos no chão.

Na recém-libertada cidade de Bucha, perto de Kiev, agora reduzida a cinzas depois de ter estado tomada pelos russos durante um mês, foram encontrados, numa rua, os cadáveres de pelo menos 20 homens vestidos com roupas de civis. Um dos homens tinha as mãos atadas e os corpos estavam espalhados por várias centenas de metros. Também de Bucha, noroeste da Ucrânia, chega a história - reportada pelos principais órgãos de comunicação ocidentais - de uma mãe de 33 anos e os dois filhos, de quatro e oito, mortos a tiro por militares num veículo blindado russo, enquanto tentavam fugir de carro.

Potenciais crimes de guerra são reportados também pelo lado russo. Na semana passada, o Governo ucraniano disse estar a investigar alegações de tortura a prisioneiros de guerra russos na sequência da divulgação online de um vídeo que o Kremlin considerou "monstruoso". As imagens em causa, divulgadas nas redes sociais, mostram o que parecem ser soldados ucranianos a retirarem de uma carrinha três russos encapuzados antes de dispararem sobre as suas pernas. Embora faltem certezas sobre a autenticidade das imagens - como, de resto, acontece com quase todas as alegações de cada parte envolvida - Kiev disse levar as alegações de maus-tratos "muito a sério" e anunciou uma investigação com aquilo que considera poder ser um "crime de guerra".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG