Crise política

Sri Lanka declara estado de emergência após presidente fugir para as Maldivas

Sri Lanka declara estado de emergência após presidente fugir para as Maldivas

Depois de o presidente do Sri Lanka, Gotabaya Rajapaksa, ter deixado o país na madrugada de quarta-feira (ainda noite de terça-feira em Portugal Continental) a bordo de um avião militar com destino às Maldivas, o país, que vive uma crise económica sem precedentes, declarou estado de emergência.

A fuga de Rajapaksa levou a que o primeiro-ministro do Sri Lanka, Ranil Wickremesinghe, tenha sido nomeado presidente interino e, de imedaito, tenha declarado estado de emergência no país. "O presidente saiu do país, o estado de emergência foi declarado para fazer frente à situação vivida" explicou o porta-voz do primeiro-ministro, Dinouk Colombage.

"Devido à sua ausência do país, o presidente Rajapaksa disse-me que nomeou o primeiro-ministro para assumir a Presidência, de acordo com a Constituição", assinalou Mahinda Yapa Abeywardana, num breve discurso transmitido pela televisão.

PUB

A Constituição cingalesa prevê, em caso de renúncia do presidente, que o primeiro-ministro assuma o Governo interino até o Parlamento escolher um deputado que exercerá o poder até ao final do mandato em curso, ou seja, novembro de 2024.

No entanto, Jayamapthy Wickrameratne, especialista em assuntos constitucionais, disse ao site "Al Jazeera" que o primeiro-ministro não tem poder para declarar estado de emergência.

"O Estado de Emergência não pode ser declarado desta forma. Antes de dar este passo, o líder precisa de ser nomeado presidente interino, o que ainda não aconteceu", explicou, acrescentando que "o primeiro-ministro não tem poderes sob a constituição para declarar uma emergência nacional".

Durante as manifestações, a polícia do Sri Lanka lançou gás lacrimogéneo para conter milhares de manifestantes reunidos diante do escritório de Ranil Wickremesinghe, em Colombo. Os manifestantes exigiam a renúncia do ainda primeiro-ministro Ranil Wickremesinghe, após a fuga de Gotabaya Rajapaksa para as Maldivas. "Vai para casa, Ranil! Vai para casa, Gota!", gritavam os manifestantes que, nos últimos dias, ocuparam vários edifícios governamentais.

Rajapaksa é acusado de má gestão económica, que levou o país a assumir a incapacidade de financiar as importações mais essenciais para os seus 22 milhões de habitantes devido à falta de moeda estrangeira.

Colombo falhou no pagamento de uma dívida externa de 51 mil milhões de dólares (50,9 mil milhões de euros) em abril e está em conversações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para uma possível ajuda de emergência.

O Sri Lanka sofreu, ao longo dos últimos meses, longos apagões - devido a problemas energéticos -, escassez de alimentos e combustível e continua a observar um aumento da inflação, que regista os níveis mais altos de sempre.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG