Igualdade de género

"Violência contra mulheres emergiu como uma pandemia-sombra", alerta de Portugal na ONU

"Violência contra mulheres emergiu como uma pandemia-sombra", alerta de Portugal na ONU

A secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade portuguesa alertou esta quarta-feira, na Comissão das Nações Unidas sobre o Estatuto da Mulher (CSW), que a violência contra mulheres "emergiu como uma pandemia-sombra".

"A violência contra mulheres e meninas emergiu como uma pandemia-sombra", disse esta quinta-feira Rosa Monteiro, num evento paralelo virtual da CSW coorganizado pela presidência portuguesa do Conselho da União Europeia (UE), Comissão Europeia e Lobby Europeu de Mulheres.

"O risco de violência aumentou com a implementação de medidas de confinamento em todos os países", lamentou Rosa Monteiro, ao declarar que a pandemia "não é neutra" entre o sexo masculino e feminino.

A perita em igualdade de género citou o secretário-geral da ONU, António Guterres, ao considerar que a pandemia de covid-19 "tem rosto de mulher" e que "em todas as esferas, seja na saúde, economia, segurança ou proteção social, o impacto é exacerbado para as mulheres".

Ana Sofia Fernandes, da parte do Lobby Europeu de Mulheres (LEM), sublinhou também a mesma preocupação e exigiu a ratificação pela União Europeia da Convenção de Istambul, aprovada em maio de 2011.

"Uma estratégia de recuperação baseada em igualdade de géneros não será eficaz se não visar a pandemia-sombra, nomeadamente a persistência estrutural de violência masculina contra mulheres e meninas", declarou a vice-presidente do LEM.

A representante da maior plataforma de associações de mulheres, com mais de duas mil organizações, considerou que a Convenção de Istambul é "a ferramenta legislativa mais abrangente na Europa que aborda formas específicas de violência contra mulheres e meninas".

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Ana Sofia Fernandes acrescentou que o LEM está "muito satisfeito que esta seja uma prioridade para a presidência portuguesa do Conselho da UE, antecipando uma decisão do Tribunal de Justiça da UE, esperada para breve".

Rosa Monteiro, secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, indicou também que as mulheres estão "super-representadas" em setores vitais para todas as economias e sociedades, como a saúde, educação, prestação de cuidados e limpezas, ao mesmo tempo que viram um aumento de responsabilidades e encargos nas vidas pessoais com os trabalhos não pagos de cuidados a idosos ou crianças.

Tudo isto contribuiu para o "reforço dos estereótipos de género", declarou Rosa Monteiro.

A secretária de Estado evocou as declarações da ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, ao intervir, na terça-feira, em nome da União Europeia, no debate geral da CSW, que pediu a intensificação de esforços e colaborações para eliminar "discriminação sistémica" baseada no género.

A ministra apontou obstáculos à participação das mulheres na vida pública como a violência online, que inclui ameaças, assédio e intimidação e "cyber bullying".

O evento paralelo coorganizado esta quarta-feira pela presidência portuguesa do Conselho da União Europeia debateu o tema "Igualdade de género e as consequências socioeconómicas da crise causada pela covid-19" e o objetivo de "construir medidas de emergência e recuperação sensíveis ao género", no âmbito da CSW, que decorre de 15 a 26 de março.

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