Covid-19

Costa rejeita não dar prioridade de vacinação a idosos

Costa rejeita não dar prioridade de vacinação a idosos

Em causa está uma notícia avançada pelo semanário Expresso, que revela uma proposta da Direção-Geral da Saúde para que os idosos sejam o último grupo a ser vacinado.

O Ministério da Saúde acaba de emitir um comunicado em que esclarece que "as informações vindas a público" sobre o plano de vacinação, que punha no fim da lista de prioridades os mais velhos,​​​ "estão incluídas num documento meramente técnico e são parcelares e desatualizadas". A tutela refere ainda que "a estratégia de vacinação contra a covid-19, em preparação pela Direção-Geral da Saúde, ainda não foi discutida com o Ministério da Saúde nem validada politicamente".

Entretanto, o primeiro-ministro rejeitou a possibilidade de todos os maiores de 75 anos sem doenças graves não terem acesso prioritário às vacinas contra a covid-19, como noticia o jornal "Público" na edição desta sexta-feira de manhã.

"Não é admissível desistir de proteger a vida em função da idade. As vidas não têm prazo de validade", declarou António Costa, no Twitter. "Há critérios técnicos que nunca poderão ser aceites pelos responsáveis políticos".

PUB

Em causa está um primeiro esboço do plano de vacinação contra a covid-19 supostamente apresentado pela Direção-Geral da Saúde (DGS) que não caiu bem entre os peritos. Nele, os mais velhos, o grupo mais afetado pela mortalidade da pandemia, está no fim da lista de prioridades.

O plano preliminar da DGS para a vacinação, apresentado por Graça Freitas, deixa as pessoas com mais de 65 anos para o fim do grupo de prioridades para a vacinação contra a covid-19. A proposta foi apresentada pela diretora da DGS, a um grupo de 22 peritos, e terá causado indignação, relata a edição do jornal "Expresso" desta sexta-feira.

Segundo o semanário, no documento há cinco grupos prioritários para a vacinação contra a covid-19. Primeiro, os profissionais de saúde, depois os funcionários de lares. Em terceiro lugar a população dos 50-59 anos com fatores de risco, como os doentes crónicos, e em quarto lugar os portugueses dos 60 aos 64 anos sem comorbilidades.

No fim da lista de prioridades, escreve o "Expresso", está o grupo de pessoas com mais de 65 anos. Após estes cinco grupos, segue-se o resto da população portuguesa, numa ordem por definir.

Já o jornal "Público", que diz ter tido acesso às conclusões do grupo de trabalho, adianta que as "pessoas entre os 50 e os 75 anos com doenças graves, como insuficiência cardíaca, respiratória e renal, os funcionários e utentes de lares de idosos e os profissionais de saúde envolvidos na prestação direta de cuidados deverão ser os primeiros a ser vacinados contra a covid-19".

Segundo este diário, "seguir-se-ão, numa segunda fase, 45 mil elementos das forças de segurança e da proteção civil e as pessoas entre os 50 e os 75 anos com doenças crónicas, como diabetes, cancro, doença pulmonar obstrutiva crónica, entre outras, e que totalizam perto de três milhões".

Segundo a SIC, as pessoas com mais de 75 anos ficarão de fora do plano da vacinação, para já, uma vez que as farmacêuticas e Agência Europeia do Medicamento não apresentaram provas suficientes sobre a eficácia da vacina neste grupo etário.

Dos 4209 óbitos associados à covid-19 desde o início da pandemia, 2834 (67%) tinham mais de 80 anos. O escalão etário anterior (70-79 anos) representa 20% do total de vítimas mortais (850 mortes). Somados, os grupos dos mais velhos representam 87% do total de vidas perdidas para a doença causada pelo SARS-CoV-2.

O escalonamento etário feito pela DGS não se encaixa na distribuição agora revelada pelo "Expresso". A faixa etária anterior às duas mais penalizadas, na organização da comunicação diária de resultados, encaixa pessoas com idades entre os 60 e os 65 anos, um grupo com 352 mortes associadas à covid-19 (cerca de 9% do total). Isto é, 96% dos óbitos ocorreram entre pessoas com mais de 60 anos.

No esboço que terá sido apresentado pela DGS, este último grupo é partido a meio, com os maiores de 65 anos a juntarem-se aos conjuntos acima, em termos de idade, para figurar em quinto lugar na lista de prioridades para a vacinação contra a covid-19.

Estatisticamente, os três grupos mais velhos representam 11% do total de infetados desde o início da pandemia. Segundo os dados do boletim da DGS revelado na quinta-feira, dos 280394 infetados, 13990 tinham mais de 80 anos (4% do total). No escalão anterior, dos 70-79 anos, houve, até ao momento, 8940 casos, o que corresponde a 3% do acumulado, enquanto no escalão com 60-70 anos, há 13819 infeções, 4% do total.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG