O Jogo ao Vivo

Lisboa

1.º de Maio festejado com lugares marcados e contra "brutal ofensiva"

1.º de Maio festejado com lugares marcados e contra "brutal ofensiva"

Duardita Sousa nunca falhou um 1.º de Maio desde o 25 de Abril e nem a pandemia a afastou da Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa.

Para esta alentejana a morar na capital há mais de 50 anos, é preciso continuar a lutar pois os trabalhadores, garante ao JN, estão de novo sobre "forte ataque". A nova secretária-geral da CGTP dá-lhe razão e invocou aliás a ofensiva gerada a pretexto do Covid-19 para justificar a celebração na rua do Dia dos Trabalhadores.

"Estamos na rua, por direito e por dever, para com aqueles que representamos e que enfrentam uma brutal ofensiva, que estão a ser sujeitos ao aproveitamento que alguns fazem do vírus para acentuar a exploração, que têm na precariedade do vínculo laboral um elemento de instabilidade permanente das suas vidas", defendeu Isabel Camarinha.

No primeiro discurso na Alameda, a nova secretária-geral exigiu a proibição de despedimentos e a reversão dos que aconteceram nos últimos meses, a retribuição por inteiro para quem está em lay-off ou em assistência à família, o aumento do Salário Mínimo Nacional e dos rendimentos de forma geral e manifestou-se contra a descapitalização da Segurança Social - deve ser o Orçamento do Estado a garantir as medidas contra a pandemia, defendeu.

Num 1.º de Maio festejado sob regras de distanciamento, não houve sardinhas ou bifanas. A celebração foi breve mas "um sinal de luta", defendem os sindicalistas.

Perfilados como numa parada ou numa mega aula de yoga, várias centenas de delegados e dirigentes da CGTP distribuíram-se pelo relvado da Alameda quase ocupando o espaço da Fonte Luminosa ao Instituto Superior Técnico. Os lugares estavam marcados através de faixas e bandeiras.

"Um momento de afirmação, esperança e de luta" para "as dezenas de milhar de trabalhadores que perderam os seus trabalhos, sofreram cortes ou viram direitos reduzidos", sublinhou aos jornalistas o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.

Sentado em cima do muro, António Pinto, de 62 anos, olhava desolado. "Não é habitual" deslocar-se à Alameda para o 1.º de Maio mas este ano aproveitou o pretexto da celebração da CGTP para "sair de casa e dar uma voltinha". Discorda da iniciativa, frisa ao JN, sem Páscoa e 13 de Maio não percebe como foi a comemoração permitida mas fez "questão de ver e assistir para tirar as suas conclusões".

Outras Notícias