Novo Governo

António Costa e Silva, "pai" do PRR, assume pasta da Economia e do Mar

António Costa e Silva, "pai" do PRR, assume pasta da Economia e do Mar

Da entrada na vida política à ida para o Governo passaram menos de dois anos. Depois de, nos primeiros meses da pandemia, ter sido escolhido para desenhar o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) - o que levou a Oposição a apelidá-lo de "paraministro" -, António Costa e Silva volta a merecer a confiança do primeiro-ministro. Desta vez, vai assumir o ministério da Economia e do Mar.

Em 2020, numa entrevista à RTP logo após António Costa ter lançado o seu nome para a ribalta, Costa e Silva revelou que não conhecia o primeiro-ministro e que desenhou o plano do PRR em dois dias: "Nunca tinha estado com ele. Lançou-me este desafio de dar uma resposta à crise e desenvolver um plano para o 'day after'", referiu, na altura.

Antes de ser abordado por Costa, o antigo líder da Partex tinha-se mostrado crítico da geringonça e do rumo trilhado pelo Governo: em 2018, em entrevista ao Público, elogiou o ministro da Economia de Passos Coelho, Álvaro Santos Pereira, censurando o PS por "governar em função do que dizem os autarcas e a opinião pública".

Já antes, em 2016, tinha dito em entrevista ao ECO que as empresas em Portugal "não são suficientemente acarinhadas" e que o país poderia vir a necessitar de um novo resgate financeiro "a qualquer momento".

E mesmo os elogios a Costa podiam prestar-se a duplas interpretações, como é o caso daquele que deixou ao primeiro-ministro, nessa mesma ocasião, considerando-o um "político excelente" no que toca à "durabilidade" no cargo.

Na altura, a escolha de Costa e Silva para esboçar o PRR não foi bem recebida por todos os partidos. Catarina Martins, líder do BE, considerou-o um "paraministro", recusando-se a negociar com ele. PCP, CDS e PAN diriam o mesmo.

Costa Silva responderia: "Acho que os partidos têm razão, tenho um respeito imenso pelos partidos. A minha missão não é negociar, a minha missão é fazer o plano". O PSD, embora tenha lamentado a escolha de um "estreante na política", mostrou-se disponível para colaborar.

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Quer economia do mar "competitiva e sustentável"

É preciso construir "uma economia do mar mais competitiva, mais coesa e mais inclusiva, mas também mais descarbonizada e sustentável", escreveu António Costa e Silva em 2020, no documento que originaria o PRR. Menos de dois anos volvidos, o primeiro-ministro, António Costa, confiou-lhe a pasta do Mar, que agora se funde com a Economia (Siza Vieira sai) e deixa de ter ministério próprio.

Nascido em Angola, em 1952, Costa e Silva apoiou a independência do país. Alinhado com o MPLA, seria, ainda assim, preso na sequência das purgas de 1977.

Em 1980 iniciou a carreira profissional, na Sonangol. Manteve-se ligado ao negócio do petróleo e, entre 2004 e 2021, foi presidente da Comissão Executiva da Partex, petrolífera que, em 2019, a Fundação Gulbenkian vendeu a uma empresa tailandesa.

Entre 1984 e 1997, trabalhou na Companhia Portuguesa de Serviços. de 1998 a 2001 foi Diretor Executivo da Compagnie Générale de Géophysique em Portugal e, de 2001 a 2002, presidiu ao ramo empresarial do Instituto Francês de Petróleos.

Ao longo da carreira, foi responsável pela coordenação de vários projetos internacionais de energia, em particular no Médio Oriente, Argélia, México, Venezuela, Rússia, Irão, Arábia Saudita, Brasil e Angola.

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