
Seguro considera que André Ventura não usa métodos democráticos na campanha
Foto: José Coelho/Lusa
O candidato presidencial António José Seguro afirmou, este domingo à noite, que atuará "com a discrição necessária" junto do Governo, de forma a evitar eventuais crises políticas. "O país não pode passar a vida em eleições", apontou. Sobre o adversário, considerou que André Ventura usa métodos que "não são democráticos".
O ex-secretário-geral do PS referiu, em entrevista à SIC, que fará de tudo para que os governos executem a sua política, caso seja eleito presidente da República no próximo dia 8 de fevereiro. "Tenho de avaliar os contextos e a realidade", afirmou, quando questionado sobre o que fará num cenário em que o Orçamento do Estado seja chumbado duas vezes.
"O país não pode passar a vida em eleições. Não ficarei à espera que as crises cheguem a Belém. Atuarei com a discrição necessária. É impensável governar um país com ciclos curtos", disse o candidato presidencial. António José Seguro salientou que, desde 2019, nenhum Executivo cumpriu com os quatro anos de governação.
Sobre o adversário, o ex-líder socialista considerou que André Ventura é "um risco para a democracia". "As redes sociais estão cheias de mentiras contra mim", apontou. Como exemplo, o candidato presidencial destacou a carta falsa, supostamente assinada por várias figuras públicas, entre elas o antigo primeiro-ministro Passos Coelho, contra a sua eleição. "Não precisamos de lançar mentiras. Não dar a carta é inaceitável em democracia", acrescentou.
Métodos "não são democráticos"
António José Seguro disse que os métodos do adversário "não são democráticos" e lembrou que cerca de 82% dos casos de desinformação, durante as eleições presidenciais, foram da responsabilidade do presidente do Chega. Os números constam de um estudo do Laboratório de Comunicação da Universidade da Beira Interior.
Tal como já tinha dito no debate presidencial com Marques Mendes, antes da primeira volta das presidenciais, Seguro voltou a reafirmar que não dará posse a um Governo que seja contra a Constituição, em referência ao partido Chega.
Com várias zonas do país a recuperar dos estragos da depressão Kristin, o candidato apoiado pelo PS referiu que o "Estado tem de reagir melhor e agir preventivamente" com planos de redundância, para evitar que as populações fiquem sem luz, água e comunicações. Segundo Seguro, para eventos desta dimensão deve ser prestada uma "resposta mais rápida e eficiente" e não "no momento". "Têm de ser apuradas responsabilidades", declarou.
O candidato presidencial, que parte em vantagem para a segunda volta, disse que "a solidariedade não pode substituir a responsabilidade do Estado".
Diploma para resolver conflitos
Em matéria internacional, António José Seguro defendeu que "Portugal não deve abandonar nenhuma das suas alianças", referindo-se sobretudo à NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte).
O ex-líder do PS acredita na diplomacia para "resolver pacificamente os conflitos", mas defendeu, em simultâneo, o aumento da capacidade de autonomia na área da defesa, na Europa.

