
Seguro lançou apelo ao voto de todos. "Sou livre, sem amarras"
Foto: Mário Vasa
"Semeámos esperança, ganhámos confiança". Foi com estas palavra fortes que António José Seguro se dirigiu aos apoiantes, no Centro Cultural das Caldas da Rainha, após a confirmação da vitória na primeira volta das eleições presidenciais.
No seu discurso, reafirmou o carácter independente da sua candidatura e mostrou-se confiante noutros apoios para a segunda volta. "Convido todos os democratas, todos os progressistas e todos os humanistas a juntarem-se a nós, para derrotarmos o extremismo e derrotarmos o fascismo", dissei perante uma plateia eufórica, onde só bandeiras de Portugal se agitavam, nada de símbolos políticos.
No seu discurso, Seguro insistiu na natureza independente da sua candidatura, afirmando ter recebido votos "de todos os campos políticos", o que, disse, reforça a sua liberdade. "Sou livre", afirmou, numa das passagens mais aplaudidas do discurso, antes de assumir o compromisso de ser "presidente de todos os portugueses", sem divisões nem exclusões.
"Regressei para unir os portugueses. Jamais serei o presidente de uma parte dos portugueses contra a outra parte. Com a nossa confiança, serei presidente de todos os portugueses e faço esse juramento diante de vós"
O vencedor da primeira volta saudou "todos os eleitores", incluindo os que votaram noutros candidatos e os que não foram às urnas, sublinhando a ideia de um país plural e inclusivo. "Todos somos Portugal", afirmou, recusando leituras de vencedores e vencidos e deixando uma palavra de respeito aos candidatos afastados. "Não há derrotados, porque todos somos democratas.", sublinhou.

Foto: Mário Vasa
Mobilização mais ampla
Num tom mais programático, apontou áreas onde considera haver "tanto para mudar", começando pela saúde, passando pela educação, pela desigualdade social e pela pobreza, lembrando que quase dois milhões de portugueses vivem com dificuldades para chegar ao final do mês. Falou também de salários, competitividade da economia e oportunidades para os jovens, defendendo um país mais moderno, justo e com um Estado a funcionar.
A palavra "esperança" foi eleita como bandeira para o que chamou de uma futura presidência, associada à valorização do trabalho, da igualdade entre mulheres e homens, do cuidado com os idosos e do investimento no conhecimento, na ciência, na cultura e no ambiente. "Jamais serei o presidente de uma parte dos portugueses contra a outra", garantiu, num discurso pensado tanto para mobilizar como para tranquilizar.
"Dirijo uma palavra de apreço e de respeito a todos os candidatos que não passaram à segunda volta. Não há derrotados, porque todos somos democratas. O país continuará a contar com o contributo de cada um de vós"
Na resposta aos jornalistas, Seguro voltou a sublinhar a confiança nos resultados e mostrou-se convicto de que a segunda volta será marcada por uma mobilização mais ampla. Destacou que mais de 1,7 milhões de eleitores confiaram o voto na sua candidatura e disse esperar que, nas próximas três semanas, mais portugueses se juntem ao projeto.

Foto: Mário Vasa
Sobre apoios partidários, afirmou que estão "a surgir", mas recusou condicionamentos, garantindo que continuará a conduzir pessoalmente a campanha. Rejeitou comparações com André Ventura, assegurando existir "um oceano de diferença" entre ambos, e reafirmou que manterá a mesma linha estratégica até ao fim. Questionado sobre a energia para a nova fase, respondeu sem hesitar: há energia "para as três semanas e para o final".
Ambiente de vitória
No quartel-geral da candidatura, o clima de festa cedo se adivinhou. Logo às 20 horas, quando surgiram as primeiras projeções das televisões, a contenção deu lugar a uma euforia difícil de disfarçar. Bandeiras ergueram-se no ar, multiplicaram-se os abraços, ouviram-se cânticos improvisados de "Seguro presidente". Houve quem se emocionasse em silêncio e quem não escondesse lágrimas, num misto de alívio e confirmação.
Entre os apoiantes, voltava a ouvir-se a história de uma candidatura que começou quase sozinha, ganhando corpo passo a passo, apenas mais tarde reforçada pelo apoio formal do PS.

