
Iluminações de Natal em Matosinhos
Pedro Correia/Global Imagens
Crise motiva maior distribuição de luzes pelos concelhos. Época também ajuda empresas de eventos, mas "não o suficiente". Comerciantes sem grande expectativa.
As câmaras do Grande Porto reforçaram o investimento em iluminação de Natal para este ano. O Porto volta a liderar, com uma verba de 395 mil euros para dar luz à quadra. No entanto, o concelho que regista o maior reforço é Matosinhos, onde as luzes de Natal custam cerca de 227 mil euros (aumento de 104 mil euros em relação ao ano passado). Segue-se Gondomar, com mais 74 mil euros disponíveis (totalizando 161 mil euros), e Gaia, com um aumento de 30 mil euros (chegando aos 330 mil euros). Também a Póvoa de Varzim decidiu reforçar a aposta na quadra em 29 mil euros (subindo para os 80 mil euros).
A subida dos valores justifica-se, sobretudo, com a vontade das autarquias em distribuir as iluminações por mais ruas e praças, para tentar ajudar os comerciantes a superar os efeitos negativos da pandemia no volume de negócio.
É isso mesmo que Carlos Macedo, administrador da Teixeira & Couto Iluminações - empresa responsável pela montagem das decorações no Porto e em Matosinhos -, explica: "As autarquias estão a querer chegar a mais freguesias. [A iluminação] é algo que pode ser apreciado em segurança, a passar de carro, por exemplo, sem provocar ajuntamentos". As luzes também deverão ser ligadas mais cedo do que é habitual.
A empresa está já desde setembro a instalar iluminações em algumas cidades e, apesar de o Natal "ajudar muito" a recuperar a quebra de receita durante o ano, "não é suficiente". "Perdemos todos os eventos do verão, com o cancelamento das romarias. Desde março que não temos qualquer serviço", refere Carlos Macedo.
Menos animação
Devido à pandemia de covid-19, não há grandes animações previstas. Por exemplo, no Porto, não haverá pistas de gelo. Também a já tradicional Praça de Natal, em Gaia, não decorrerá nos moldes habituais. Para evitar "aglomerações preocupantes", haverá uma "parada de Natal" a circular pela cidade ao longo de dez dias, "passando pelas casas das pessoas e pelo comércio local". Na Feira haverá ainda som ambiente nas ruas e uma máquina de neve.
Os investimentos municipais, além da iluminação, concentram-se no apoio ao comércio local, com programas especiais. Mas para António Madureira, da Casa Madureira, na Rua das Carmelitas, no Porto, "o Natal está estragado". A maior fatia das receitas do estabelecimento era gerada pelo turismo e agora "não se vê ninguém na rua". Para evitar mais prejuízo, o proprietário não reforçou o inventário para a quadra porque "não entra ninguém na loja". "As pessoas têm medo", lamenta.
Na Casa Lima, na Rua de Rodrigues Sampaio, perto dos Aliados, já houve quem fosse à procura de prendas de Natal. "Como não se sabe como vai ser daqui para a frente, as senhoras disseram que preferiam antecipar as compras", contou Sandra Teixeira, funcionária da loja. Inês Silva, funcionária da mercearia "Comer e chorar por mais", na Rua Formosa, no Porto, explica já ter pedido aos clientes para fazerem as encomendas de Natal mais cedo "para evitar ajuntamentos", mas confessa que o volume de vendas para época está muito longe do habitual.
