
Cáritas diz que a pobreza de imigrantes "permanece invisível" ao nosso olhar
Foto: Leonel de Castro
A Cáritas Portuguesa considera que as estatísticas tendem a subestimar a "verdadeira extensão da pobreza e da exclusão em Portugal". A associação deu como exemplo os estrangeiros que vivem no país em condições delicadas.
"O aumento do número de imigrantes em situação de exclusão nos últimos anos merece especial atenção e cuidado. Estas pessoas, vivendo muitas vezes em situações indignas, permanecem invisíveis ao nosso olhar", assinalou a associação da Igreja Católica, no seu relatório "Pobreza e Exclusão em Portugal", que traça um retrato da situação no terreno.
O documento lembra que os dados públicos "são um retrato incompleto" do que acontece no quotidiano, por se basearem em inquéritos "a alojamentos familiares habituais, tendo por base a informação dos censos". Desta forma, não são incluídos "os sem-abrigo, os reclusos nas prisões, os nacionais e estrangeiros que vivem em alojamentos temporários ou as comunidades nómadas", explicou a Cáritas.
O relatório classifica ainda a persistência de casos de pobreza como "intolerável numa economia desenvolvida, que tem os recursos para assegurar uma participação digna de todos na vida em sociedade".
Também lamenta que o combate à pobreza infantil tenha sido "muito insuficiente", apontando que Portugal permanece como um dos países europeus com menos apoios sociais destinados a reduzi-la. E lembra que, em 2024, "cerca de 200 mil pessoas não tinham capacidade económica para ter uma alimentação adequada", além de que o número de pessoas sem-abrigo "mais do que duplicou" desde 2019.
Fundada em 1945, a Cáritas é uma organização da Igreja Católica destinada a prestar assistência social.

