
Tempestade Kristin deixou muitas habitações destruídas na região Centro
Foto: Nuno Brites
Os prejuízos causados pela tempestade Kristin, que afetou sobretudo a região Centro do país, poderá superar os quatro mil milhões de euros. O cálculo foi avançado pelo ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida, garantindo, ainda, um apoio célere às pessoas que estão sem trabalho.
No programa Grande Entrevista da RTP, o governante explicou que os lesados pela tempestade Kristin terão de fazer os pedidos de ajuda através de uma plataforma eletrónica, mas quem ainda não tem comunicações ou não possui conhecimentos para preencher esses formulários online deverá deslocar-se à Câmara local que prestará auxílio no reporte dos prejuízos.
"Os apoios estão decididos" e, como são extraordinários e têm regras novas, "precisam de algum tempo de operacionalização. Este tipo de apoios [de até 537 euros por pessoa ou até 1075 euros por família] que são necessários para a sobrevivência dos lesados, para que as pessoas não morram à fome e tenham condições de vida, deverão chegar antes do final de fevereiro", assegurou Castro Almeida, dando conta que a estimativa "muito preliminar dos prejuízos" causados pela tempestade Kristin "vai superar os quatro mil milhões de euros".
"Há uma componente muito importante de dinheiro que virá das companhias de seguro. Juntando o dinheiro que será gasto pelo Estado, pelas companhias de seguros e pelos privados, nós vamos chegar a um valor superior a quatro mil milhões de euros". Este montante "não leva em conta os custos indiretos. Do ponto de vista da economia, será um abalo muito relevante, porque algumas fábricas vão demorar meses" a reerguerem-se.
Salário líquido será o mesmo para trabalhadores em lay-off
"Há empresários que terão de fazer edifícios completamente novos. Estes trabalhadores não vão ficar sem trabalho, porque vamos ter o regime de lay-off simplificado, que vai garantir que os trabalhadores vão suspender o contrato de trabalho, mas vão receber uma remuneração mensal líquida exatamente igual à que auferiam até ao limite de três salários mínimos", ou seja, de 2760 euros. "A ideia é que não percam o valor do salário líquido. O salário vai ser pago 80% pela Segurança Social e 20% pelas empresas", especificou. O regime será semelhante ao implementado durante a pandemia do covid-19.
Num momento em que ainda há quase 90 mil clientes sem luz, Castro Almeida assinala o esforço que está a ser feito pela E-Redes para repor a eletricidade face à dimensão dos estragos. "Foram cinco mil quilómetros de rede elétrica que ficaram destruídos. Esta operação é difícil, porque há zonas alagadas onde as máquinas não conseguem entrar".
Apesar da maioria das empresas ter seguro, o Governo afiança que já está disponível a linha de financiamento para apoiar os empresários. Há dois auxílios disponíveis: uma linha de financiamento até 500 milhões de euros - que poderá ser aumentada - destinada a socorrer a tesouraria das empresas - e outra de 1,5 mil milhões para apoiar o investimento na recuperação das suas unidades fabris.
"A primeira linha pode ser paga a cinco anos, com um ano de carência, e a segunda linha é um empréstimo a 10 anos, com três anos de carência". Ao fim dos três anos, ainda poderá uma bonificação de 10%. Esta linha já está a receber pedidos e, no primeiro dia, chegaram solicitações de 245 empresas no valor da ordem dos 70 milhões de euros.

