Catarina Martins sai em defesa das utopias e pede à esquerda que oiça e junte forças

A candidata presidencial apoiada pelo BE, Catarina Martins
Foto: José Sena Goulão/Lusa
A candidata presidencial apoiada pelo BE, Catarina Martins, saiu, este domingo, em defesa das utopias contra "quem ganha com o sistema da máxima exploração" e apelou à esquerda que saiba ouvir e "juntar forças" contra "a exploração e a indecência".
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"Há uns dias dizia-me, num debate, um dos homens do sistema que as utopias são coisas perigosas. Tem razão: são um perigo para quem ganha com o sistema da máxima exploração em que vivemos. E é por isso que quem mais tem, aposta tanto em quem descarta utopias para garantir que fica tudo na mesma", criticou Catarina Martins numa intervenção na 14.ª Convenção Nacional do BE, em Lisboa.
A candidata às eleições presidenciais de janeiro, que animou o segundo dia de convenção dos bloquistas e foi recebida com uma salva de palmas em pé, criticou quem quer convencer "que se alguém tropeçar ao nosso lado é deixar cair e passar por cima" e afirmou que "o lucro máximo espezinha muitas vidas".
"À esquerda, o nosso poder é saber que é quando damos a mão para proteger da queda quem tropeça ao nosso lado, ou quando estamos a tropeçar e alguém nos deita à mão e segura, nesse instante em que damos as mãos tiramos os olhos do chão e olhamo-nos olhos nos olhos. E aí há esperança, porque há empatia, solidariedade", apelou.
Na ótica da candidata a Belém, "ainda está por construir a sociedade livre, justa e solidária do artigo 1º da Constituição da República Portuguesa" e "reclamar esse horizonte é a nossa tarefa".
"Esse modelo não nos falhou, falhou o caminho para lá chegar. Façamos de novo, pois. Reinventar a democracia. Reinventar o país. Saibamos ouvir e juntar forças contra a exploração e a indecência. Saibamos aprender para multiplicar o melhor que somos. Assim temos de fazer no país, assim temos de fazer na esquerda", apelou.
Na sua intervenção, Catarina Martins também visou "os rufias indecentes do parlamento", numa alusão ao Chega.
"Quando uns rufias indecentes no Parlamento querem escolher pelo apelido que crianças podem ou não frequentar a escola, eu sei que eles não representam o país que somos. O país que somos não escolhe que crianças querem empurrar para fora da escola. O país que somos põe mãos à obra para que haja escola para todas as crianças", defendeu.
Na fase final do seu discurso, Catarina Martins deixou uma palavra à coordenadora cessante, Mariana Mortágua, que lhe sucedeu no cargo em 2023: "Não escolhemos o tempo que vivemos, mas escolhemos caminhar juntas. Seguimos juntas, obrigada".
Dirigindo-se de seguida a José Manuel Pureza - que deverá sair desta convenção consagrado como coordenador nacional -, a antiga coordenadora e eurodeputada desejou-lhe boa sorte.
"Sorte a nossa ter quem sabe falar do marxismo com o Papa Francisco. Sorte a nossa ter com quem fez da sua carreira os estudos pela paz nestes tempos", elogiou.
