
O fundador e ex-líder do BE Francisco Louçã
Foto: José Sena Goulão/Lusa
O fundador e ex-líder do BE Francisco Louçã elogiou, este sábado, o trabalho de Mariana Mortágua à frente do partido e recusou imputar-lhe erros, destacando em José Manuel Pureza a capacidade de "derrubar muros" e "aproximação entre correntes".
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Em declarações aos jornalistas à margem da XIV Convenção Nacional do BE, Francisco Louçã disse ter "um enorme apreço" por aquilo que Mariana Mortágua fez na liderança do partido, enaltecendo a "combatividade e dignidade extraordinária" e um dos "atos mais generosos e extraordinários da política portuguesa" que foi integrar uma flotilha humanitária para Gaza.
"Eu não imputo erros à Mariana. O Bloco sofreu, perdeu nestas eleições. Na primeira eleição em que ela participou, subiu a votação. Depois, na crise política provocada por Montenegro, teve a mais forte derrota eleitoral", respondeu, considerando que aquilo que esta reunião magna irá discutir é "como é que se organiza uma esquerda que seja consistente consigo própria".
Sobre se o ex-deputado José Manuel Pureza será a pessoa certa para liderar o partido nesta fase, Louçã considerou-o "uma escolha forte", com uma experiência, "como poucas pessoas dentro do Bloco, de trabalho unitário, de aproximação entre correntes".
"Há pouco tempo ele estava a discutir com o Papa Francisco o diálogo entre marxistas e cristãos. Isto é uma pérola no mundo. Que ele tenha participado com Francisco Pinto Balsemão ou com Rui Rio ou com tantas outras pessoas num movimento para legalizar a morte assistida, é a expressão de que ele é capaz de derrubar murros", enfatizou.
O antigo coordenador do BE espera para ver a discussão interna quanto à "decisão de ir ao combate onde ele é mais difícil".
"Os jovens são hoje maioritariamente de extrema-direita. O discurso de ódio banalizou-se de tal modo que conspurcou a vida democrática. Esse é um combate em que a esquerda tem que recuperar terreno, tem que recuperar alento, tem que recuperar a capacidade de luta e de expressão política", defendeu.
Para Louçã "talvez essa seja uma mudança tão profunda que vai exigir imensa capacidade, imensa atenção, imensa curiosidade e imensa vontade".
"É preciso falar à inteligência das pessoas, ao seu coração, à sua alma e à sua inteligência", afirmou.
O fundador do partido afastou a ideia do desaparecimento do BE, apontando as "raízes muito fortes" do partido, que "tem uma dificuldade que é igual a toda a esquerda".
"Eu acho que seria infantil se houvesse alguém na esquerda que estivesse contente. A extrema-direita é o segundo partido em Portugal, temos um fascista na Casa Branca. Se há alguém que está contente não está a ver o filme", avisou.
