
Estudantes de medicina e enfermagem reforçam equipa de saúde pública de Matosinhos. Médico Jaime Batista, responsável pela unidade
Artur Machado / Global Imagens
Do Norte ao Sul do país, centenas de funcionários públicos deixaram temporariamente as funções habituais para abraçar a missão de ajudar no combate à pandemia de covid-19, realizando milhares de telefonemas para rastrear contactos de doentes ou para fazer a vigilância ativa de pessoas que estiveram expostas ao risco, de forma a aliviar a pressão sobre os profissionais de saúde.
No Norte e na zona de Lisboa, a maioria são militares das Forças Armadas - 349 no total, aponta a Direção-Geral da Saúde (DGS) ao JN -, mas os inquéritos epidemiológicos estão a ser realizados também por profissionais das autarquias, professores e estudantes da área de saúde, entre outros.
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"O Ministério da Saúde tem coordenado, através da DGS e das Administrações Regionais de Saúde, a afetação desses profissionais aos departamentos e unidades de Saúde Pública de acordo com as diferentes necessidades identificadas, nomeadamente para a realização de inquéritos epidemiológicos", explicou a tutela ao JN, indicando que, para cooperar neste campo, foram identificados "funcionários da Administração Pública em geral, professores sem componente letiva, agentes da proteção civil oriundos das forças de segurança, como a PSP ou a GNR, ou ainda militares das Forças Armadas".
Formação e sigilo
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Além deste esforço - sublinha o Governo -, têm sido estabelecidas parcerias a nível local "com as câmaras municipais e outras organizações e instituições dos seus territórios, entre as quais se incluem instituições académicas de ensino superior". Também são mobilizados "recursos dos Agrupamentos de Centros de Saúde e dos Centros Hospitalares, entre os quais médicos internos de formação geral e outros profissionais, que têm permitido o reforço dos recursos humanos", destaca o Ministério da Saúde, que assegura que, desta forma, "tem sido possível garantir a realização de todos os inquéritos epidemiológicos entre as 24 e as 48 horas desde a notificação".
Atendendo a que muitos dos trabalhadores que estão a colaborar não operam na área da saúde, "todos os profissionais identificados frequentam o Curso de Vigilância Epidemiológica da Covid-19, ministrado pela DGS, e recebem toda a formação adicional necessária durante o seu período de funções, durante o qual são acompanhados pelas autoridades de Saúde".
E, para "assegurar a necessária privacidade, todos os profissionais envolvidos assinam termos de responsabilidade e confidencialidade", garante a tutela.
Detalhes
Norte - Há 106 militares, 65 técnicos superiores e 18 médicos dentistas, num total de 189 profissionais, a fazer inquéritos. Também colaboram médicos de formação geral, estudantes de enfermagem e medicina e enfermeiros a efetuar especialização em Saúde Comunitária.
Centro - Mais de 80 profissionais de saúde fazem inquéritos. Há 14 professores disponíveis para integrar as equipas, e alguns municípios disponibilizaram técnicos.
Lisboa e Vale do Tejo - Três professores, 243 militares e 79 funcionários das autarquias (técnicos superiores, assistentes técnicos, técnicos de serviço social, psicólogos, nutricionistas) estão a reforçar as equipas. Poderão ser chamadas mais 200 pessoas.
Alentejo - São 15 pessoas a fazer inquéritos e rastreio de contactos: 10 elementos das Forças Armadas e cinco funcionários de autarquias.
Algarve - Atendendo à evolução da pandemia na região, "não foi ainda necessário reforçar as equipas com profissionais de outras instituições", diz a DGS.
