
Menores em situação de risco estão acima da média de toda a população
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Há cerca de 300 mil crianças em situação de "elevada vulnerabilidade" em Portugal. A conclusão é de um estudo divulgado, esta segunda-feira, pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), que contabiliza em 1,7 milhões as pessoas que vivem abaixo do limitar de pobreza em território nacional.
"O nível de desigualdade no país mantém-se entre os mais elevados da União Europeia", sublinha o relatório, coordenado por Carlos Farinha Rodrigues, economista e professor no Instituto Superior de Economia e Gestão, em Lisboa. Os números dizem respeito ao ano passado.
No que diz respeito à situação específica dos menores em condições de vulnerabilidade, "a taxa de pobreza infantil permanece 2,2% acima da média da população total". Tal deve-se, justifica o documento, ao "agravamento acentuado" da situação entre as famílias monoparentais. "Neste grupo, que em 2023 concentrava cerca de um quarto das crianças em situação de pobreza, a taxa de pobreza aumentou de 31,0% para 35,1%", assinala a investigação da FFMS. Nas famílias numerosas, com três ou mais filhos, os casos situam-se na ordem nos 20%.
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"Esta realidade não se resume à escassez de rendimentos. Implica também o acesso mais difícil a bens e serviços essenciais, como uma alimentação adequada, habitação condigna, cuidados de saúde e educação, com impactos negativos no desenvolvimento físico, cognitivo e emocional das crianças", pode ler-se no relatório.
Baixos rendimentos
O flagelo constitui-se como um "obstáculo estrutural à mobilidade social", além de "perpetuar ciclos intergeracionais de pobreza e desigualdade", devendo considerar-se uma "preocupação social prioritária".
Apesar destas conclusões, o mesmo estudo da FFMS sublinha a "diminuição da incidência da pobreza em todos os grupos etários". O maior destaque vai para a população idosa, que viu reduzidos os índices de dificuldades em 3,3%.
Os dados da fundação reforçam os apontamentos divulgados no início do mês pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que fixaram em 15,4% a percentagem de cidadãos em risco de pobreza, menos 1,2 pontos percentuais do que em 2023 e a mais baixa dos últimos 20 anos.
"Trata-se da proporção de habitantes com rendimentos monetários anuais líquidos por adulto equivalentes ou inferiores a 8679 euros (723 euros por mês)", explicou então o INE, na sua análise aos casos de situações de pobreza em Portugal.

