
Foto: Tiago Petinga/Lusa
A "chuva civil" pode não molhar todos os candidatos a Belém, mas molhou o líder do Chega, André Ventura, que, em Viseu, procurou inspiração em Sá Carneiro, mas também em Viriato.
Ao oitavo dia de campanha oficial para as eleições presidenciais de dia 18, André Ventura escolheu o Largo Santa Cristina, junto à estátua de Francisco Sá Carneiro, em Viseu, para arrancar mais uma arruada.
A chuva não deteve as dezenas de apoiantes presentes, que se muniam de chapéus impermeáveis na cabeça alusivos à campanha e que esperavam, como já é habitual, pela chegada do líder do Chega para a tão desejada fotografia.
Em declarações aos jornalistas, André Ventura voltou a salientar que o fundador e primeiro líder do Partido Popular Democrático (PPD) é para si "uma enorme inspiração pessoal e política", depois de Francisco Sá Carneiro ter entrado na campanha no arranque.
"É um exemplo de homem que soube romper a tempo, soube tomar decisões mesmo difíceis perante o seu partido, perante o seu país. Pôs Portugal primeiro, que é o que eu quero fazer", sustentou.
Ventura não foi, contudo, estreante neste gesto simbólico durante a campanha para as presidenciais: um dos seus adversários, o almirante na reserva Henrique Gouveia e Melo, esteve no mesmo local uma semana antes.
E foi precisamente o ex-chefe do Estado-Maior da Armada que Ventura recordou indiretamente quando falava mais à frente no percurso enquanto a chuva ia caindo.
Depois de um apoiante lhe dizer que "a chuva só molha os fracos", Ventura retorquiu de volta: "Eu ia dizer que chuva civil não molha militar, mas podia beneficiar aqui outro candidato".
A arruada contou com passagem pela Confeitaria Amaral, onde o candidato a Belém, acompanhado pela mulher e alguns deputados do Chega, bebeu um café e pediu dois "viriatos", doces tradicionais da cidade, feitos de massa de pão doce com recheio de doce de ovos e uma cobertura de coco e açúcar.
O presidente do Chega não quis, contudo, comer um inteiro, "para não ganhar o peso de várias eleições", e pediu "uma faquinha" para dividir pelos presentes alguns pedaços do bolo que homenageia o chefe militar lusitano Viriato - apesar de querer distância de outros ex-chefes militares.
"Foi um guerreiro que lutou pelo nosso país, que defendeu a nossa identidade e é isso que eu quero ser também", disse aos jornalistas sobre o militar que terá vivido no século II antes de Cristo, antes da fundação de Portugal, lutando, sem sucesso, contra o domínio romano na Península Ibérica.
Ventura comeu o seu pedaço -- "para ficar mais doce", como retorquiu uma das empregadas do estabelecimento -- e pagou a conta antes de seguir caminho.
A empregada disse-lhe que serviu os viriatos "com carinho", e Ventura respondeu: "E o carinho do povo português é o que interessa mais".
Interpelado por inúmeros apoiantes que queriam tirar uma fotografia consigo, a última paragem da arruada foi na Igreja de Nossa Senhora do Carmo.
Na igreja, onde ficou escassos minutos, não foi permitida a entrada de comunicação social.
À saída, acompanhado pela mulher, Ventura justificou a entrada na igreja por ser domingo.
"É importante para mim, é uma coisa pessoal e acho que não devo abdicar de fazer isso e acho que somos um país católico e devemos continuar a ser", disse aos jornalistas.
