Sondagem diária: Ventura é ultrapassado por Cotrim e cai para terceiro. Seguro de novo em primeiro e Mendes em mínimos
Análise de Rafael Barbosa e gráficos de Inês Moura Pinto
André Ventura caiu para o terceiro lugar (19,8%), tendo sido ultrapassado por João Cotrim Figueiredo (20,1%) e António José Seguro (20,8%), que regressa ao primeiro lugar na sexta entrega da sondagem diária da Pitagórica para o JN, TSF, TVI e CNN. Há apenas um ponto a separar os três primeiros e cinco entre os cinco favoritos, com Henrique Gouveia e Melo nos 17,4% e Marques Mendes a cair para os 15,7%. A incapacidade de o social-democrata subir na tabela tem efeitos na perceção sobre as suas hipóteses de passar à segunda volta: ainda lidera, com 25%, mas perde sete pontos nesta primeira semana, enquanto o socialista vai subindo na bolsa de apostas, com 17% (mais seis pontos do que no arranque).
Com uma margem de erro de mais ou menos 4%, continua em vigor um empate técnico em que nenhum dos cinco primeiros pode ser descartado. Isso inclui Mendes, que este sábado atacou a sondagem diária da Pitagórica, afirmando que se vai enganar "redondamente". Na verdade, o que o estudo de opinião também nos diz é que o ex-líder do PSD pode chegar, no máximo, aos 18,7%, um valor superior ao patamar mínimo atribuído ao ex-secretário-geral socialista (17,5%). Ou seja, e embora pareça cada vez menos provável, até pode ficar em primeiro a 18 de janeiro. O contrário é igualmente possível: Mendes afundar para um mínimo de 12,7%, a onze pontos do patamar máximo de Seguro. Acresce que ainda há 11,4% de indecisos e falta uma semana de campanha. O suficiente para baralhar todas as contas.
Com a entrada de 200 novos inquéritos efetuados na sexta-feira e a saída dos 200 mais antigos, recolhidos na terça-feira, os principais beneficiários foram Seguro e Cotrim, que subiram cerca de um ponto percentual de um dia para o outro e aproveitaram uma queda similar de Ventura para o ultrapassarem na tabela, com o socialista a voltar ao primeiro lugar, depois de dois dias atrás do líder do Chega. Gouveia e Melo mantém-se no mesmo patamar, mas Mendes perde um ponto. A soma de resultados dos três candidatos mais à Esquerda atinge um novo mínimo, um pouco mais de cinco pontos, com a bloquista Catarina Martins nos 2,7%, o comunista António Filipe nos 1,8% e o deputado do Livre Jorge Pinto com 0,8%, duas décimas mais do que Manuel João Vieira (0,6%).
Homens e faixa etária dos 35/54 anos empurram Cotrim para o topo
Com seis "tracking poll" apresentadas e mais de 1600 inquéritos realizados, vale a pena perceber quais são as principais alterações entre o primeiro e este último dia. E o destaque vai para João Cotrim Figueiredo, o candidato com a maior subida (um pouco mais de dois pontos percentuais). Na análise aos diferentes segmentos da amostra (género, idade, geografia e classe social), percebe-se melhor quem mais contribui para o crescimento do liberal: os homens desde logo, segmento que o liberal lidera (20,9%) e em que que cresceu quase seis pontos desde o arranque (resultados sem distribuição de indecisos). Ponto fraco: perdeu quase um ponto entre as mulheres.
É, no entanto, na faixa etária dos 35/54 anos que a evolução positiva de Cotrim é mais evidente (24,8%), com mais dez pontos do que na primeira sondagem diária. Note-se que também lidera entre os mais jovens (18/34 anos), mas este escalão etário esteve sempre com o liberal (26,3%). A fragilidade é grande, no entanto, entre os mais velhos (55 anos em diante), com um resultado quase quatro vezes inferior ao que regista entre os mais novos. Quando se tem em conta a geografia, cresceu mais a Norte e em Lisboa, liderando na capital (23,8%). Nas classes sociais, é, desde o arranque, o vencedor incontestado entre quem tem melhores rendimentos (25,8%) e aumentou o pecúlio em pouco mais de três pontos. As percentagens baixam drasticamente na classe média e nos mais pobres.
Seguro em crescendo de apoio entre os mais ricos e os mais velhos
Um outro candidato que se destaca pela positiva é António José Seguro. Não só porque liderou a tabela em quatro dos seis dias de sondagem diária, como por ter crescido um ponto e meio desde 5 de janeiro (data da primeira apresentação de resultados). Os homens deram um contributo um pouco maior do que as mulheres para essa subida, sendo certo que o ex-secretário-geral socialista revela equilíbrio no género (ao contrário de Cotrim, que é muito mais masculino). O que partilha com o liberal é o melhor resultado entre os que têm maiores rendimentos, tendo crescido quase cinco pontos neste segmento ao longo desta primeira semana de barómetro.
Bastante frágil entre os mais novos (18/34 anos), o socialista atinge o topo e lidera (24,3%) o grupo de cinco favoritos entre os mais velhos (55 anos em diante), tendo subido quase três pontos ao longo destes dias. Finalmente, quando se tem em conta a geografia, a evolução é mais relevante em Lisboa e no Centro que, com uma subida um pouco superior a quatro pontos. Mas Seguro só está à frente no Centro (21,9%).
Quebra do almirante nos homens, mais velhos e que vivem no Centro
Um terceiro destaque, nesta análise ao conjunto das sondagens diárias, é Henrique Gouveia e Melo, mas pela negativa, uma vez que é o candidato que, nesta altura, mais perde na intenção de voto (quase dois pontos desde o arranque), percebendo-se, na análise aos segmentos, que, no que diz respeito ao género, essa perda é exclusivamente à custa do eleitorado masculino. Se o ângulo for o da idade, a quebra mais evidente é entre os mais velhos (quatro pontos), que continuam, no entanto, a ser o eleitorado mais fiel do almirante (18%).
No que diz respeito à geografia, Gouveia e Melo sofre um castigo pesado na Região Centro (já perdeu oito pontos percentuais). No Norte e em Lisboa as quebras estão dentro da média, mas no Sul cresce quase seis pontos. Nas classe sociais, o castigo só é perceptível nos dois escalões com maiores rendimentos, e em particular no topo da pirâmide (três pontos). Ao contrário, entre os mais pobres, que lidera (21,5%), cresceu quase quatro pontos durante a semana.
Mendes perde eleitores de Montenegro para Cotrim e Gouveia e Melo
Uma das principais explicações para as dificuldades de Marques Mendes é a dispersão do eleitorado da AD. O candidato social-democrata só consegue atrair três em cada dez eleitores de Luís Montenegro (31,1%). Dois em cada dez fogem, quer para Gouveia e Melo, quer para Cotrim Figueiredo. Até Seguro se aproxima de convencer um em cada dez dos eleitores da coligação PSD/CDS.
No caso do PS, o seu ex-secretário-geral vai juntando intenções de voto grão a grão e já ultrapassou a metade do caminho (54,3%). Mas continua a ter um sério concorrente em Gouveia e Melo, que convence dois em cada dez socialistas. Relativamente ao Chega, é Ventura que continua no topo, mas com pouco mais de seis em cada dez eleitores das últimas legislativas (64,4%). Cotrim e Gouveia e Melo somam, em conjunto dois em cada dez desses votos, com alguma vantagem para o liberal.
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Liberal é o mais popular, Ventura é o menos apreciado
A sondagem diária da Pitagórica não se limita a medir a evolução das intenções de voto. Há outros indicadores, como a dinâmica de vitória (que Mendes continua a liderar, mas em queda) ou a opinião favorável ou desfavorável relativamente aos candidatos, em função do que se viu, ouviu ou leu. E neste capítulo, o campeão indiscutível, desde o arranque, é João Cotrim Figueiredo, que tem agora um saldo positivo de 34 pontos percentuais (diferença entre os que dizem que a opinião melhorou ou piorou). Acima da linha de água estão também António José Seguro (22 pontos) e Jorge Pinto (quatro pontos).
Os restantes candidatos estão todos no vermelho, com destaque para André Ventura e os seus 27 pontos de saldo negativo. Não muito distante está Marques Mendes (23 pontos), seguindo-se Gouveia e Melo (18 pontos), Catarina Martins (16 pontos) e António Filipe (oito pontos).
Tracking poll: Sondagem diária até 16 de janeiro
O JN publicará uma "tracking poll", diariamente, até 16 de janeiro, último dia em que é permitida a publicação de sondagens. Poderá seguir a evolução das intenções de voto na edição online, sempre às 20.30 horas, ou na edição impressa. Um estudo de opinião que funciona de uma forma diferente do habitual. Arranca como qualquer outra sondagem, com uma amostra de cerca de 600 inquéritos, que representam o nosso universo eleitoral. A cada dia, acrescentam-se 200 entrevistas, retirando-se as 200 mais antigas. Ao fim de três dias, a amostra estará completamente renovada, relativamente ao dia de arranque. E assim sucessivamente até às vésperas da ida às urnas que, para usar uma frase feita, mas nem por isso menos verdadeira, é a "sondagem" que conta.
Ficha Técnica
Durante 3 dias (7, 8 e 9 de janeiro de 2026) foram recolhidas diariamente pela Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, TSF e JN um mínimo de 202 a 203 entrevistas (dependendo dos acertos das quotas amostrais) de forma a garantir uma sub-amostra diária representativa do universo eleitoral português (não probabilístico). Foram tidos como critérios amostrais o género, três cortes etários e 20 cortes geográficos (Distritos + Madeira e Açores). O resultado do apuramento dos três últimos dias de trabalho de campo, resultou numa amostra de 608 entrevistas que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de ±4,06%. A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de "telemóvel" mantendo a proporção dos três principais operadores móveis. Sempre que necessário foram selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas são recolhidas através de entrevista telefónica (CATI- Computer Assisted Telephone Interviewing). O estudo tem como objetivo avaliar a opinião dos eleitores portugueses, sobre temas relacionados com as eleições presidenciais, nomeadamente os principais protagonistas, os momentos da campanha, bem como a intenção de voto dos vários candidatos. Foram realizadas 1201 tentativas de contacto, para alcançarmos 608 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 50,62%. A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional. A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.

