"Conversas de Café": Presidente da AEP apela a "esforço conjunto" para reter talento

Luís Miguel Ribeiro foi o segundo convidado das "Conversas de Café"
Foto: Artur Machado
O presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP) alertou, esta terça-feira, para a necessidade de Portugal “saber acolher” mão de obra estrangeira e defendeu a existência de um “esforço conjunto”, entre as empresas e o Estado, para reter talento, sobretudo jovens qualificados.
“Vivemos momentos de grande transformação”, afirmou Luís Miguel Ribeiro, na segunda tertúlia das “Conversas de Café”, no Café Velasquez, no Porto, numa parceria entre o JN e a Faculdade de Economia da Universidade do Porto, com o patrocínio da Torre dos Clérigos.
Numa conversa moderada por Augusto Santos Silva sobre o desafio da competitividade, o presidente da AEP referiu que houve mudanças na estrutura social e demográfica do país. “Temos de receber cada vez mais pessoas, mas temos de ter capacidade de saber acolher”, apontou. Para o responsável, “mais do que trazer mão de obra”, é “necessário trazer cidadãos”, o que exigirá “políticas públicas” de integração, por exemplo, na habitação.
Entre pedidos de café e o burburinho do tilintar dos copos no Café Velasquez, o sociólogo Augusto Santos Silva referiu a dificuldade de reter talento qualificado em Portugal. “Estamos a pagar a formação da mão de obra da Alemanha”, disse o também professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, numa alusão aos jovens portugueses que emigram para vários países europeus, à procura de trabalhos melhor remunerados.
“Como seguramos estas pessoas? Só há uma grande forma de o fazer: remuneração de acordo com a sua ambição”, apontou Luís Miguel Ribeiro. No entanto, o presidente da AEP referiu haver um “problema de contexto”, que não fica resolvido com o IRS Jovem: “As pessoas que têm mais ambição são mais penalizadas fiscalmente”. “O IRS Jovem não basta, é preciso mais”, acrescentou.
Para reter talento qualificado, disse o presidente da AEP, é necessário um “esforço conjunto das empresas e do Estado”. Interpelado por um elemento da plateia sobre a “saída de cérebros” para fora de Portugal devido aos salários pouco competitivos, Luís Miguel Ribeiro sublinhou que a competitividade é global, garantindo que há portugueses a regressar ao país com mais competências e qualificações.
Questionado sobre uma aparente falta de “capacidade de arriscar” dos doutorados em Portugal, geralmente por “falta de capital”, o presidente da AEP lembrou o relatório Draghi sobre a necessidade de haver mais inovação na Europa. Algo que pode ser estimulado nas universidades e que exige mudanças culturais na forma como se encaram as falhas, disse Luís Miguel Ribeiro. A próxima tertúlia é no dia 11.

