
Em causa, alegados abusos sexuais perpetrados ao longo dos anos, no confessionário, pelo cónego Fernando Sousa e Silva
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A Arquidiocese de Braga não divulga o número de relatos que terão chegado ao "serviço de escuta" criado, no início de outubro, para vítimas de abusos sexuais na paróquia de Joane, em Famalicão.
Nesta altura vieram a público inúmeros relatos sobre alegados abusos sexuais perpetrados ao longo dos anos, no confessionário, pelo cónego Fernando Sousa e Silva, de 90 anos. O sacerdote foi entretanto sancionado pelas autoridades eclesiásticas.
A Diocese de Braga confirmou, em comunicado emitido a 1 de outubro, ter recebido duas denúncias de abuso sexual em 2019 e 2021. Mas há quem assegure ter denunciado o caso vários anos antes. Questionada pelo JN sobre se enviou as denúncias recebidas às entidades judiciais competentes, a Arquidiocese não esclarece. Diz apenas entender que, no momento, "não deve acrescentar mais nada" ao que foi dito.
No rescaldo dos relatos que foram surgindo nos meios de comunicação social, a Diocese criou no início de outubro um "serviço de escuta" destinado a quem quisesse "partilhar as suas dolorosas experiências". O serviço está disponível de forma presencial, via telefone ou correio eletrónico. "Os novos testemunhos que, entretanto, possam chegar à Arquidiocese poderão permitir uma leitura mais completa do caso e possivelmente justificar novos procedimentos", lia-se no comunicado da Diocese de Braga.
Contudo, instada pelo JN, Arquidiocese não revela o número de relatos que chegaram a este "serviço". "A Arquidiocese continua a apelar a todos os que possam ter sido vítimas de qualquer espécie de abuso sexual em alguma paróquia ou instituição da Arquidiocese de Braga a que contactem Comissão de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis (CPMAV)", diz a resposta enviada ao JN.
Apesar de no início de outubro ter tomado posição sobre o caso de Joane, a Diocese diz agora que a CPMAV "não se pronuncia sobre casos particulares e mantém o afirmado em comunicado de 1 de outubro de 2022, "os novos testemunhos que, entretanto, possam chegar à Arquidiocese poderão permitir uma leitura mais completa do caso e possivelmente justificar novos procedimentos".
No comunicado evocado, a Diocese confirmou ter recebido duas denúncias, uma em novembro de 2019 e outra em 2021, sobre as quais os relatórios foram enviados à autoridade eclesiástica competente. Em janeiro de 2022, avançou o mesmo documento, Jorge Ortiga criou uma Comissão de Investigação Prévia. Em maio deste ano, o atual arcebispo "enviou todos os elementos recolhidos para o Dicastério para a Doutrina da Fé".
Entretanto, segundo o mesmo comunicado, a Arquidiocese em "sintonia" com o Dicastério, em julho de 2022, diz que "foram impostas medidas disciplinares ao sacerdote em causa, a saber, a necessidade de se abster de exercer publicamente o seu ministério sacerdotal e, de modo particular, a celebração pública dos Sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação, devendo recolher-se num clima de oração, reflexão e penitência".
Por outro lado, a Diocese reconheceu e lamentou não ter conseguido ser mais célere no tratamento do caso e "mais eficazes" no acompanhamento das vítimas.
