"Esforço para converter 25 de Novembro numa data fundadora é um logro"

Ricardo Noronha é investigador do Instituto de História Contemporânea
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Ricardo Noronha, investigador do Instituto de História Contemporânea, é autor do novo livro "A ordem reina sobre Lisboa. Uma história do 25 de Novembro". Nos 50 anos desta operação militar, o JN falou com o historiador sobre o papel deste marco histórico na consolidação da democracia e sobre o que classifica de "mito fundador". A seu ver, "o esforço para o converter numa data fundadora do regime democrático é um logro a vários títulos".
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Como descreveria o papel que o 25 de Novembro de 1975 teve na consolidação da democracia?
Os acontecimentos propriamente ditos tiveram um papel bastante lateral no que diz respeito à formação e consolidação do regime democrático. A composição do Governo provisório manteve-se igual, o Conselho da Revolução só foi reestruturado porque os representantes da Marinha se demitiram (por iniciativa própria) e a Assembleia Constituinte (que nesse dia chegou a reunir-se em São Bento) continuou a preparar a Constituição. Ou seja, as instituições políticas e político-militares permaneceram praticamente inalteradas durante o que foi, fundamentalmente, uma sublevação militar localizada, protagonizada por uma unidade específica, o corpo de paraquedistas, com apoios tácitos ou efetivos de algumas unidades da Região Militar de Lisboa (como o RALIS, a EPAM ou o Regimento de Polícia Militar), que mantiveram em todo o caso uma postura largamente defensiva e expectante.

