
GNDNEducação030 Manifestação de estudantes, Congresso Nacional do Ensino Superior. Alunos baixam as calças em protesto, e tem Não Pago escrito nas nadegas. Foto: Arquivo DN © Proibido o uso editorial sem autorização da Global Notícias. Esta fotografia não pode ser reproduzida por qualquer forma ou quaisquer meios electrónicos, mecânicos ou outros, incluindo fotocópia, gravação magnética ou qualquer processo de armanezamento ou sistema de recuperação de informação, sem prévia autorização escrita da Global Notícias.
A fotografia de quatro estudantes universitários, em cima de cadeiras, de calças baixadas e com o rabo à mostra com a inscrição, nas nádegas, "não pagamos", continua a ser a imagem icónica dos protestos na Educação. A 16 de abril de 1993, no encerramento do Congresso Nacional do Ensino Superior deixou literalmente a nu a contestação dos estudantes perante o então ministro da Educação, Couto dos Santos. "Quatro estudantes voltaram-lhe os traseiros e ia tudo acabando à estalada", noticiou o Jornal de Notícias na edição de sábado, dia 17 de abril.
"Vários estudantes contestaram as propinas mostrando as nádegas", referia ainda o JN, esclarecendo que o congresso "decorreu entre aplausos e vaias".
A contestação ao aumento das propinas estava no auge. Cerca de um ano antes, Cavaco Silva tinha alterado a comparticipação dos alunos nos custos do ensino superior e os protestos eram sentidos em todo o país.
O ministro Couto dos Santos discursava no encerramento do congresso e falava sobre a importância do ensino superior. "O futuro, passando por cada um de nós, pluralmente diferentes, não pode ignorar a instituição Universidade, os seus 700 anos de história, o seu espírito e a sua missão de continuar a ser um centro onde mestres e alunos se reúnem pelo saber", dizia o ministro quando foi interrompido pelos jovens. Para além de mostrarem as nádegas, os estudantes presentes gritaram "demissão". Entre os presentes na cerimónia, nem todos gostaram do protesto. De acordo com o JN, várias pessoas referiram o acontecimento como "uma vergonha", dizendo que os contestatários eram uns "ordinários".
Meses depois, em dezembro, na sequência dos protestos contínuos, Couto dos Santos demitiu-se e foi substituído por Manuela Ferreira Leite.
