Eventos climáticos extremos custaram 962 milhões de euros às seguradoras em 20 anos

Destruição causada pela tempestade Kristin em São Pedro de Moel, Marinha Grande
Foto: Carlos Barroso/Lusa
Setor congratula-se com intenção do Governo de criar fundo nacional de proteção contra catástrofes naturais.
As seguradoras pagaram 962 milhões de euros nos últimos 20 anos devido a perdas provocadas por eventos catastróficos e os números deverão disparar este ano por causa da tempestade Kristin, com as seguradoras a terem de suportar indemnizações na ordem dos 500 milhões de euros. O ministro da Coesão Territorial, Castro Almeida, calcula que os prejuízos provocados pela tempestade que, em janeiro, atingiu a região Centro de forma devastadora, poderão superar os quatro mil milhões de euros.
Os valores da tempestade Kristin ainda não são finais, mas superam em muito os prejuízos dos últimos anos. Segundo o "Jornal de Negócios" e o "Expresso", deverá levar as seguradoras a pagarem indemnizações na ordem dos 500 milhões de euros. Será a pior catástrofe dos últimos 20 anos nesta matéria, já que, segundo a Agência Portuguesa de Seguradores (APS), os eventos mais graves até agora tinham sido os incêndios de outubro de 2017 (que levaram as seguradoras a pagar indemnizações no valor de 226 milhões de euros), as tempestades na Madeira em fevereiro de 2010 (141 milhões de euros), a Leslie em outubro de 2018 (101 milhões) e o temporal que afetou o território continental em janeiro de 2013 (100).
As empresas seguradoras que operam em Portugal saudaram, por isso, as declarações do Governo sobre a criação de um sistema nacional integrado de proteção contra catástrofes naturais. Em comunicado enviado esta sexta-feira pela APS, as seguradoras anunciam que entregaram uma "declaração conjunta apelando ao poder político para que esta matéria seja assumida como uma prioridade estratégica de interesse público".
Nos últimos 20 anos, o setor segurador português pagou cerca de 962 milhões de euros em indemnizações associadas a eventos climáticos extremos, "sendo que mais de 60% desse valor ocorreu na última década, evidenciando uma tendência de agravamento contínuo", especificam. Os montantes indemnizados, acrescentam, "representam apenas uma pequena fração das perdas económicas totais, revelando a lacuna de proteção que expõe a sociedade portuguesa à crescente severidade das catástrofes naturais".
As seguradoras manifestam por isso total disponibilidade para colaborar com o Estado e com as entidades competentes na definição de um "modelo nacional de proteção robusto e sustentável, assente em princípios de solidariedade, prevenção e partilha de riscos, à semelhança do que já existe na maioria dos países europeus".
