
Maior carência é de docentes para o 1.º ciclo
Foto: Carlos Carneiro
A maioria das escolas registou, no primeiro período do ano letivo, falta de professores durante mais de uma semana e 41% durante pelo menos um mês, segundo o movimento Missão Escola Pública, que diz que o problema é agora nacional. Embora ainda prevaleça no Sul, o fenómeno alastrou-se ao Norte e Centro.
O balanço do primeiro período de aulas feito esta sexta-feira pela Missão Escola Pública tem como base um inquérito a diretores de 222 escolas e agrupamentos (27% do total nacional). Segundo a Lusa, os resultados mostram que 70% dos diretores registaram horários sem professor atribuído por mais de uma semana e 41% não tiveram docente designado durante mais de um mês. Sendo que um em cada três diretores (34%) reportou ter tido pelo menos um horário vazio durante todo o primeiro período.
O problema continua a afetar mais as escolas do Sul, mas "já não se restringe a estas regiões e encontra-se em franca disseminação territorial", refere o inquérito do movimento de professores.
No Norte, 22,1% dos agrupamentos disseram ter tido disciplinas sem professor durante todo o período. No Centro, 36% dos agrupamentos tiveram de lidar com esta carência, o que é apenas ligeiramente abaixo dos dados reportados por diretores da zona de Lisboa (40,6%). No Algarve, metade dos responsáveis queixaram-se da dificuldade em encontrar docentes, enquanto no Alentejo o problema foi apontado por 28,6%.
Os dados confirmam que "deixou de ser um fenómeno circunscrito a determinados territórios e passou a afetar, em graus distintos, todas as regiões do país", refere o documento.
Primeiro ciclo pior
Já esta semana, Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), tinha alertado para o alastrar do fenómeno. A maior dificuldade relatada é encontrar professores de 1.° ciclo (31%), seguindo-se os de Educação Especial (25%), Português (22%), Informática (20%), Inglês (11%), Matemática (10%), Francês (8%), História (7%) e Geografia (7%).
O movimento Missão Escola Pública quis também saber quantos alunos chegaram ao final do 1.° período sem professor e o inquérito mostrou que 32% dos agrupamentos tiveram pelo menos uma turma com falta de docentes.
O Ministério da Educação tem alertado para o facto de não existir uma relação direta entre horários sem professores atribuídos e alunos sem aulas, alegando que os diretores têm mecanismos para que os alunos não sejam prejudicados, tais como pedir que façam horas extraordinárias. A maioria dos diretores (62,2%) optou por essa medida, sendo também prática comum (50,5%) optar pela reorganização ou alteração de horários.
A redução das medidas de promoção do sucesso, como os apoios, coadjuvações ou desdobramentos, foram também soluções encontradas por 24,8% dos diretores. Segundo o inquérito, em 171 escolas ou agrupamentos (75% do universo analisado) a solução foi atribuir horários vazios a profissionais sem formação em ensino, designadamente mestrado.

