
Joana Bordalo e Sá, da Federação Nacional dos Médicos
Foto: Gerardo Santos /Arquivo
A presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fnam), Joana Bordalo e Sá, disse esta terça-feira ao JN que o primeiro-ministro "vive numa realidade paralela", considerando que "seria bom" que Luís Montenegro visitasse os serviços de urgência do país "para constatar as dificuldades que os utentes e os profissionais enfrentam".
"Em vez de andar em inaugurações, numa operação de propaganda e de charme à população em altura pré-eleitoral [para as presidenciais], o senhor primeiro-ministro devia visitar os serviços de urgência, de norte a sul, para ver o caos que de facto se vive", afirmou Joana Bordalo e Sá, em declarações ao JN, a propósito de um protesto marcado para as 15.30 horas, no Hospital de Braga.
Na segunda-feira, durante a cerimónia de inauguração da nova sede da Direção Executiva do SNS, no Porto, Luís Montenegro atribuiu a "perceções" o retrato atual do Sistema Nacional de Saúde (SNS). "Somos todos os dias confrontados com uma perceção de problemas e de crise permanente do SNS. Felizmente, essa não é a realidade", referiu o primeiro-ministro.
Para a presidente da Fnam, essas são afirmações de alguém que "vive numa realidade paralela". "O portal dos tempos de espera não mente", defendeu Joana Bordalo e Sá, sublinhando que existem "vários exemplos" de "problemas reais" no SNS que contrariam a ideia de Luís Montenegro.
"Dezoito horas de espera no Hospital Amadora-Sintra, o Hospital de Penafiel que há uma semana tinha 70 doentes internados na urgência e precisava de recorrer a macas por falta de camas, as três mortes em contexto pré-hospitalar por problemas no socorro, os bebés que continuam a nascer em ambulâncias... Isto são casos reais", apontou a presidente da FNAM.
Para Joana Bordalo e Sá, Luís Montenegro devia "visitar os serviços de urgência, perceber o sofrimento das pessoas, as dificuldades sentidas pelos utentes e também pelos profissionais, com equipas desfalcadas e em exaustão". "Se o senhor primeiro-ministro acha que tudo isto é digno de um país europeu, que acabou de entrar em 2026, está tudo dito", concluiu.

