
Em 2026, o SNS vai poder contratar 1111 médicos aposentados
Foto: André Rolo
Nos últimos três anos, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) despediu-se de 7205 profissionais, 3402 dos quais médicos e enfermeiros. Em 2025, contabilizaram-se 1111 aposentações nestes dois grupos profissionais, que apresentam tendências contrárias: há cada vez mais enfermeiros a saírem do setor público, ao passo que as reformas entre os médicos estão a diminuir.
No ano passado, 570 médicos e 541 enfermeiros aposentaram-se do SNS, num total de 2419 profissionais nas 12 carreiras. Segundo os dados da Administração Central dos Sistemas de Saúde (ACSS) noticiados pelo "Diário de Notícias" nesta quinta-feira, as aposentações no SNS estão a crescer, ainda que com diferentes realidades dentro do universo de profissionais. Uma das classes cujo pendor é mais preocupante é a dos enfermeiros. Entre 2023 e 2025, 1382 abandonaram o SNS, numa trajetória ascendente: 323 reformaram-se no primeiro ano de análise, 518 em 2024 e 541 no ano passado, o que se traduz num crescimento de 67%.
Na classe médica, a tendência é inversa. Os números adiantados pela ACSS dão conta de 2020 aposentações - mais do que nos enfermeiros -, embora numa curva descendente: 817 em 2023, 633 em 2024 e 570 em 2025. Contas feitas, o número de médicos reformados no setor público caiu 30%. Desde 2010 que foi criado um regime para aliviar a escassez de médicos no SNS, que acabou por prolongado pelos sucessivos governos.
Para este ano, os ministérios da Saúde e das Finanças autorizaram o SNS a contratar até 1111 médicos aposentados, mais 41 do que em 2025, incluindo novos contratos e renovações, segundo um despacho publicado em Diário da República, de modo a colmatar as faltas. "Entre esses constrangimentos destaca-se, de forma particularmente significativa, a atual configuração da demografia médica, marcada por um elevado número de aposentações, tendência que se manterá nos próximos anos, com especial incidência na área da medicina geral e familiar, pilar fundamental do SNS", pode ler-se no diploma.
A carência de médicos de família tem sido apontada, ao longo dos últimos anos, como uma das principais preocupações. O portal da transparência do SNS indica que, no final de dezembro, o número de utentes sem médico de família voltou a crescer em dezembro de 2025 para 1 563 710. Também se registou, porém, um aumento de inscritos nos cuidados de saúde primários e de utentes com médico de família atribuído (9 159 218).
De acordo com a ACSS, no final do ano passado o SNS contabilizava 154 977 profissionais nas 12 carreiras - o maior número da última década -, 22 161 dos quais médicos especialistas, mais 2% do que em 2024. "O crescimento global do número de profissionais confirma uma tendência positiva de aumento de recursos humanos no SNS, com impacto direto na prestação de cuidados de saúde prestados à população", defende a ACSS. Ao DN, os bastonários das Ordens dos médicos e enfermeiros demonstram preocupação com os números das aposentações, defendendo que tais saídas manifestam-se na qualidade dos cuidados de saúde prestados e no acompanhamento dos doentes.

