
Lousã, 27/09/2024 - Alunos imigrantes nas escolas portuguesas. Escola Secundária da Lousã. Sala de aula. (Leonel de Castro)
Leonel de Castro
Após análise dos resultados do concurso externo extraordinário, divulgados esta segunda-feira, a Federação Nacional de Professores assegura que dos 1639 docentes colocados, apenas 395 representam novas entradas no sistema de ensino por os restantes (1244) já se encontrarem a dar aulas.
As contas da Fenprof, divulgadas esta quarta-feira, pretendem contrariar a conclusão do ministério da Educação, Ciência e Inovação de que o preenchimento de 91% das 1800 vagas disponibilizadas a concurso, sobretudo nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo e de Setúbal - "onde persiste maior incidência de situações de alunos sem aulas" - com a passagem aos quadros de 1220 professores irá contribuir para resolver o problema de falta de profissionais "de forma estrutural e permanente". Em comunicado enviado às redações, a Federação contesta, defende que o número de vagas abertas e apenas em dez quadros de zona são "insuficientes", além de que 75,9% das 1639 vinculações são relativas a professores que "já se encontravam colocados à data da candidatura". Ou seja, frisa a Fenprof, não representam um reforço dos profissionais.
A Fenprof sublinha ainda que dos 1639 docentes, 697 concorreram em segunda prioridade, isto é, sem habilitação profissional para a docência, pelo que terão quatro anos para concluir a profissionalização ou perdem o lugar de quadro. "Tal realidade exige, desde logo, a garantia de vagas suficientes em cursos de profissionalização em serviço, o que não foi assegurado: centenas de docentes ficaram sem vaga, aos quais se juntarão, previsivelmente, os agora vinculados de forma provisória", alerta a federação, referindo-se ao curso de profissionalização em serviço da Universidade Aberta que abriu 300 vagas.
Mais preocupante, frisa a Fenprof, é que em 13 grupos de recrutamento, incluindo os de Português (do 2.º e do 3.º ciclo e Secundário), Francês (3.º ciclo) ou de Informática, o número de docentes colocados sem profissionalização é superior aos que concorreram em 1.ª prioridade, "o que evidencia uma crescente dependência de professores sem habilitação profissional".
Depois da FNE, a Fenprof também sublinha que dos 28 grupos de recrutamento, 12 ficaram com vagas por preencher, particularmente os de Português-Inglês, do 2.º ciclo, Francês (3.º ciclo e Secundário) e Informática, todos com mais de 20 vagas por ocupar.

