Governo quer "esgotar possibilidades" na lei laboral e reúne-se na próxima semana com parceiros

O presidente do PSD e primeiro-ministro Luís Montenegro
Foto: Hugo Delgado/Lusa
O primeiro-ministro anunciou, esta quarta-feira, que o Governo vai reunir-se no início da próxima semana com os parceiros sociais sobre a lei laboral, dizendo que "não quer eternizar discussão", mas querer "esgotar todas as possibilidades de aproximação".
Luís Montenegro falava no encerramento das jornadas parlamentares do PSD, que decorreram em Caminha (distrito de Viana do Castelo), sob o lema "Portugal Resiliência e Ambição".
"Temos de ganhar esta luta, com moderação, com sentido de responsabilidade, com certeza, mas com sentido de mudança, com sentido de coragem para ousar fazer diferente", apelou, dizendo que só reformando a legislação laboral Portugal poderá ser uma economia mais competitiva.
Numa intervenção com mais de 40 minutos e centrada sobretudo no pacote laboral do Governo, Montenegro pediu "lealdade institucional e sentido de responsabilidade" a todos os parceiros sociais, incluindo a UGT, que acusou de ter apresentado uma "proposta desenquadrada" durante o processo negocial.
O primeiro-ministro fez mesmo um apelo direto a esta central sindical, pedindo-lhe que "não capitule face à outra central sindical", a CGTP, que tradicionalmente não alinha em compromissos em sede de concertação social.
Montenegro chegou mesmo a fazer uma comparação entre a CGTP e o partido Chega, que também pediu ao Governo que rasgasse a atual proposta de revisão da lei laboral e começasse do zero, dizendo que ambos recorrem ao mesmo verbo. "Muitas vezes diz-se e bem que os extremos tocam-se. Neste caso concreto é que nem uma luva", afirmou.
"Reformismo de boca têm muitos, reformismo de ação não é para todos"
O presidente do PSD e primeiro-ministro afirmou ainda que "reformismo de boca têm muitos, mas reformismo de ação não é para todos", dizendo que até dentro do PSD e do Governo há, por vezes, dificuldade em entender as mudanças.
Numa intervenção de mais de 40 minutos, o líder social-democrata centrou-se sobretudo nas propostas de alteração à lei laboral que o Governo pretende fazer, mas defendeu a ação do executivo noutras áreas para tirar uma conclusão "numa altura em que se fala muito de reformismo".
"Reformismo de boca têm muitos, mas reformismo da ação, de crescimento, de ambição e de transformação não é para todos", disse.
Dando o exemplo mais recente da intenção do Governo de criar urgências de obstetrícia regionais na Margem Sul, o primeiro-ministro lamentou que, sempre que se tenta mudar alguma coisa, "levantam-se sempre todas as vozes da oposição, aquelas que reclamam a mudança, a dizer que está tudo mal".
"Eu vejo nas oposições e nas corporações muita reivindicação de mudança e muito pouca coragem para mudar (...) Nós temos de facto um país que precisa de coragem, coragem para mexer, coragem para mudar, coragem para transformar. Não somos donos da verdade, nem da razão, não digo que façamos tudo bem, mas há uma coisa que não nos vão acusar: é de deixar de fazer", assegurou.
