
Com mais imigrantes em Portugal, a integração deve ocorrer em vários contextos
Foto: Adelino Meireles
A Ordem dos Psicólogos lançou, este mês, a propósito do Dia Internacional dos Migrantes, um documento com recomendações práticas para ajudar a integração de migrantes em Portugal. Intitulado "Vamos Falar sobre Integração de Pessoas Migrantes", procura explicar o que é a migração e de que forma os migrantes podem ser ajudados no processo de integração, em diferentes contextos, como, por exemplo, no local de trabalho ou na escola.
Ao nível da comunidade local, os psicólogos defendem que a população deve estar consciente dos seus preconceitos e ideias feitas.
São também incentivados gestos de acolhimento, como cumprimentar com um simples "bom dia" ou um sorriso - que podem facilitar a integração. Comunicar através de uma língua comum, apoiar a aprendizagem da língua portuguesa, criar oportunidades de convívio e o esclarecimento de normas sociais, sobretudo as não escritas, são outras recomendações. É ainda destacada a importância de explicar o funcionamento de serviços essenciais, como transportes, SNS 24 ou centros de saúde.
No local de trabalho, o documento sublinha o papel de gestores e colegas na sua integração. O acolhimento deve ser feito de forma estruturada, com explicação clara do funcionamento da empresa, incluindo direitos, deveres, horários e pausas, bem como a facilitação da integração na equipa. Falar abertamente sobre diversidade cultural pode reduzir mal-entendidos.
A atenção a restrições alimentares, por razões culturais e religiosas, e a partilha de costumes culturais, como o Natal, são igualmente incentivados. Por seu lado, os colegas de trabalho devem estar atentos a situações de exploração laboral, evidentes ou disfarçadas.
Adultos na escola
Finalmente, na escola, a Ordem dos Psicólogos chama a atenção para o comportamento dos adultos, sublinhando que pode influenciar a forma como as crianças reagem à presença de imigrantes. Defende-se a desconstrução dos motivos das pessoas deixarem o seu país de origem e sugere-se que as crianças portuguesas aprendam palavras na língua do imigrante para a inclusão ser eficaz desde cedo.
A Ordem dos Psicólogos Portugueses sublinha que a integração de pessoas migrantes é um processo coletivo, que depende não apenas de políticas públicas, mas também das atitudes quotidianas de cidadãos, instituições e comunidades nacionais.

