
Hospital Amadora-Sintra
Júlio Lobo Pimentel / Global Imagens
Amadora-Sintra já realizou 395 cirurgias no privado. Santa Maria e Pulido Valente iniciaram programa na quarta-feira. Objetivo é diminuir a espera nos casos menos graves.
Os cirurgiões do Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra) operaram, desde outubro, 395 doentes num hospital privado para combater as listas de espera. O Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN) - que engloba os hospitais Santa Maria e Pulido Valente - também começou na quarta-feira a operar nesta modalidade.
Em declarações ao JN, fonte do Fernando Fonseca adiantou que as 395 cirurgias correspondem a 62,5% das 625 contratadas. As operações, feitas pelos médicos do SNS em equipa com outros profissionais do privado, pertencem às especialidades de otorrino e cirurgia geral e são realizadas em regime de ambulatório.
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Estas especialidades são as que tinham lista de espera maiores, agravadas pelo combate à covid-19. No entanto, a instituição está a lançar um novo concurso público para realizar cirurgias que necessitem de recobro e de internamento durante um dia ou dois.
Alexandra Ferreira, vogal do Conselho de Administração, em declarações à agência Lusa, tinha adiantado que esta opção se deveu à falta de recursos humanos. "Nós tínhamos cirurgiões, mas não tínhamos nem anestesistas nem enfermeiros para assegurar as 11 salas" de operação, explicou. O hospital contratualizou as intervenções apenas com uma instituição, o Trofa Saúde Amadora.
500 operações até janeiro
Na quarta-feira, os hospitais de Santa Maria e o Pulido Valente avançaram com as cirurgias no privado, realizando cinco operações, para minimizar o impacto na atividade cirúrgica menos prioritária, suspensa desde novembro.
"Mesmo em período de pandemia, o CHULN tem conseguido diminuir a lista de inscritos para cirurgia. No início do ano tínhamos 10 mil doentes em lista e agora temos oito mil. O objetivo é evitar que o tempo de espera para doentes menos graves não se alargue", adiantou ao JN Daniel Ferro, presidente do Conselho de Administração.
A instituição prevê realizar aproximadamente 500 cirurgias, a grande maioria de menor complexidade, até final de janeiro. Serão executadas em programas semanais, em função das disponibilidades das equipas e dos hospitais. Após este prazo, os protocolos serão reavaliados, de acordo com o evoluir da pandemia. O CHULN teve como referência os valores que o Serviço Nacional de Saúde paga aos hospitais públicos pelos mesmos cuidados.
É também preciso que os doentes estejam de acordo com a mudança do local da operação. O projeto envolve 12 equipas (cirurgião principal e ajudante) pertencentes a sete especialidades: neurocirurgia, ortopedia, cirurgia plástica, otorrinolaringologia, urologia, cirurgia vascular e cirurgia cardíaca. O centro hospitalar celebrou contratos com quatro entidades, sem adiantar quais. Mas o Hospital Lusíadas Lisboa, em comunicado, fez saber que é um deles.
