INEM e Liga de Bombeiros acordam reforço de meios com foco na margem sul do Tejo

INEM justifica falta de meios com ambulãncias (macas) que ficam retidas nas urgências hospitalares
Foto: Pedro Correia
O INEM e a Liga dos Bombeiros Portugueses acordaram, esta quinta-feira, um reforço de meios permanentes ao serviço da emergência médica, ainda não quantificado, mas que inicialmente se vai focar em responder a constrangimentos na margem sul de Lisboa, área que abrange municípios como Almada, Seixal, Barreiro, Montijo, Alcochete, Sesimbra e Setúbal.
No final de uma reunião entre os presidentes das duas entidades, que decorreu esta manhã na sede da Liga dos Bombeiros Portugueses, em Lisboa, o presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), Luís Cabral, adiantou que ficou acordado um reforço permanente de meios para a região de Lisboa, com um foco inicial na margem sul do Tejo, havendo um compromisso para transformar em contratos permanentes os contratos sazonais de reforço de meios.
"Nós identificamos hoje, de uma forma muito clara, que temos constrangimentos, principalmente na cidade de Lisboa, na área metropolitana de Lisboa, mas o grande foco, neste momento, tem a ver com a margem sul. E é aí que nós vamos fazer o reforço inicial", disse Luís Cabral.
"Em todas as outras situações em que for necessário esse reforço, nomeadamente na cidade de Lisboa, muitas das situações passam [...] por transformar ambulâncias que são contratualizadas pelo INEM, do ponto de vista sazonal, ou seja, que são apenas, numa determinada altura do ano, transformar essas ambulâncias em ambulâncias definitivas", acrescentou.
O presidente do INEM sublinhou que o caráter esporádico desses contratos "cria alguma instabilidade no relacionamento laboral dos corpos de bombeiros com os tripulantes" e que transformar os contratos sazonais em contratos permanentes aumenta a disponibilidade de meios para o INEM.
Reunião marcada há dez dias
O aumento de meios ainda não está quantificado, tendo a Liga que contactar as associações humanitárias de bombeiros para aferir disponibilidades, processo que já iniciou, adiantou, por seu lado, António Nunes, presidente da LBP.
Para além de contratos sazonais que passam a permanentes, há também acordos de disponibilidade diária de 12 horas que vão passar a disponibilidade de 24 horas, adiantou o presidente da LBP.
Sobre os resultados da reunião de hoje com o INEM, que, sublinhou António Nunes, estava agendada há dez dias e não decorre dos casos de mortes por alegadas falhas de socorro tornados públicos nas últimas 48 horas, adiantou ainda que a Liga vai solicitar aos corpos de bombeiros um "adicional de cooperação com o INEM", depois de se ter verificado que nas regiões de Lisboa e Setúbal, por vezes "a informação não está a fluir" como desejado.
Sobre o financiamento inerente ao reforço de meios, adiantou que a questão nem foi discutida na reunião de hoje. "O financiamento logo virá, não é essa a nossa preocupação", disse.
"Há da parte do INEM e da Liga um primeiro problema que é este: encontrar os meios necessários para reforçar, fazer uma maior fluidez da informação e tentar levar ao limite a nossa capacidade de resposta. Se isso tem custos adicionais, certamente que nós temos tempo para resolver", disse ainda António Nunes.
INEM garante transparência
Pelo menos três pessoas morreram esta semana depois de terem ligado para o INEM a pedir socorro e os meios não terem chegado a tempo. À saída da reunião, Luís Cabral disse ainda não ter informação sobre os casos mais recentes divulgados esta quinta-feira, nomeadamente a morte de uma mulher na Quinta do Conde, Sesimbra, com dificuldades respiratórias e que aguardou 40 minutos pela chegada do INEM, e um homem de 68 anos, em Tavira, que esperou mais de uma hora por socorro.
"Terei que analisar ambos os casos e, no seu devido tempo, o INEM irá emitir os seus comunicados (...) Todas as situações que eventualmente possam configurar uma situação de falha de socorro, terão de ser devidamente averiguadas", disse.
Luís Cabral acrescentou que tal como da última vez em que houve esta falha do INEM as averiguações foram feitas e "foi-se concluindo em algumas alturas que não havia uma responsabilidade direta do INEM nestas situações".
"Nós seremos sempre transparentes em todo este processo, seremos muito claros em relação àquilo que se passou, em relação àquilo que são os tempos e que foram as diferentes ambulâncias e viaturas com médico envolvidas. Não haverá aqui qualquer ocultação por parte do INEM relativamente a essa matéria", assegurou.
