Escutas a António Costa: Maioria quer "puxão de orelhas" de Marcelo ao PGR e ao MP
Análise de Rafael Barbosa e gráficos de Inês Moura Pinto.
A divulgação recente de escutas a António Costa, ao tempo em que era primeiro-ministro, causaram acesa polémica. Ao ponto de os portugueses concordarem que é caso para o presidente da República pedir explicações formais ao Procurador-Geral da República (73%) e até para exercer pressão pública sore o Ministério Público (49%), se houver "suspeitas graves" de que foram ilegais, como revela uma sondagem da Pitagíorica para o JN, TSF, TVI e CNN.
Foi o momento de maior instabilidade política ao logo dos dois mandatos de Marcelo Rebelo de Sousa: no decorrer da chamada Operação Influencer, o então primeiro-ministro demitiu-se, depois de um parágrafo num comunicado da Procuradoria-Geral da República que o envolvia na investigação. Caiu um Governo de maioria absoluta, o presidente optou por dissolver o Parlamento e convocar eleições, e Luís Montenegro venceu as eleições.
Chamar PGR a Belém e pedir explicações
No entanto, dois anos passados, e com António Costa já nas funções de presidente do Conselho Europeu, vieram a público uma série de escutas que muitos consideram ilegais (para além do conteúdo quase sempre trivial e muitas vezes referente a questões pessoais que nada têm a ver com a investigação). Na altura, o próprio Marcelo defendeu que a justiça tem de "aprender a lição" e que os portugueses "querem saber o que se passou".
De acordo com a sondagem uma esmagadora maioria dos portugueses (73%) quer muito mais do que isso. Quer, desde logo, que o presidente peça explicações formais a Amadeu Guerra (o atual PGR), uma opinião unânime a todos os segmentos da amostra (género, idade, classe social, região e voto partidário). Apenas 11% discordam dessa iniciativa.
Pressão pública sobre o Ministério Público
Mas a exigência de esclarecimento deve ainda ir mais longe. Para além de chamar o PGR a Belém, a maioria de portugueses entende que, a haver "suspeitas graves" de que algumas das escutas possam ter sido ilegais, o presidente tem "legitimidade" para "exercer pressão pública" sobre o Ministério Público: é o que dizem 49% dos inquiridos, com destaque para os que vivem na Região Centro e têm 45 /54 anos (54%), e para os que têm 18/24 anos ou votam no Chega (56%).
A estes 49% que pedem uma intervenção pública acrescem 11% que defendem que a pressão deve ser exercida através de contactos reservados (ou seja, e feitas as contas, 60% quer um "puxão de orelhas" ao Ministério Público). Apenas 22% rejeita em absoluto a pressão de Marcelo sobre os procuradores.
Ficha Técnica
Sondagem realizada pela Pitagórica para a TVI e CNN Portugal com o objetivo de avaliar a opinião dos portugueses sobre temas relacionados com a atualidade nacional e internacional e com as eleições presidenciais de 2026. O trabalho de campo decorreu entre os dias 11 e 19 de dezembro de 2025. A amostra foi recolhida de forma aleatória junto de eleitores recenseados em Portugal e foi devidamente estratificada por género, idade e região. Foram realizadas 2012 tentativas de contacto, para alcançarmos 1000 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 49,7%. As 1000 entrevistas telefónicas recolhidas correspondem a uma margem de erro máxima de +/- 3,16% para um nível de confiança de 95,5%. A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional. A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.

