
Ampe Rogerio/Lusa
Antigo primeiro-ministro terá sido ouvido sem autorização judicial, no âmbito de conversas que teve com arguidos da "Operação Influencer". MP garante não ter percebido de quem se tratava.
A notícia
De acordo com o "DN", António Costa, antigo primeiro-ministro e hoje presidente do Conselho Europeu, foi, entre 2020 e 2022, alvo de 22 escutas que não foram validadas pelos tribunais. Estas escutas, realizadas no âmbito da "Operação Influencer", só terão sido remetidas ao tribunal em outubro último, muito para lá do prazo, pelo que a sua utilização poderá estar comprometida.
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Já o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) garantiu que apenas sete destas escutas ficaram por validar e que seis delas se trataram apenas de tentativas de contacto.
MP não se apercebeu
O Ministério Público assegurou que tal aconteceu porque, por "razões técnicas", não foi detetado que o interlocutor das escutas era o primeiro-ministro - algo que só terá sido descortinado mais tarde, quando estas foram reavaliadas. O DCIAP vincou ainda que António Costa nunca foi "diretamente escutado" nem alvo de vigilância, e que sempre que foram detetadas comunicações com a sua participação estas foram comunicadas ao presidente do Supremo Tribunal de Justiça.
"Estas notícias pervertem a ideia de que a Justiça funciona de forma adequada"
Eurico Brilhante Dias
Líder parlamentar do PS
A demissão
A "Operação Influencer" investiga a construção de um centro de dados e a produção de energia a partir de hidrogénio, em Sines, bem como a exploração de lítio em Montalegre e Boticas. Em novembro de 2023, um comunicado da PGR que revelava a existência de um inquérito criminal contra António Costa levou à demissão do então primeiro-ministro.

