
Comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre
Foto: António Cotrim/Lusa/Arquivo
Mais de 5700 ocorrências desde domingo, quase 1600 diretamente relacionadas com inundações, compõem o balanço do mau tempo apresentado esta quinta-feira pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil. No terreno estão mobilizados mais de 20 mil operacionais, apoiados por cerca de oito mil meios terrestres e três helicópteros, num dispositivo ajustado diariamente à evolução das cheias, derrocadas e cortes de acessos registados em várias regiões do país.
Um dos impactos mais severos continua a verificar-se na distribuição de energia elétrica, com cerca de 86 mil clientes ainda sem fornecimento. O distrito de Leiria concentra o maior número de avarias, com aproximadamente 57 mil clientes afetados, seguindo-se Santarém, com cerca de 15 mil. Em Castelo Branco permanecem cerca de três mil clientes sem eletricidade e em Coimbra perto de mil, estando as restantes situações dispersas por outros pontos do território, sobretudo em zonas mais expostas ao vento e à queda de árvores.
No briefing realizado ao final da manhã, o comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, descreveu um cenário de forte pressão sobre várias bacias hidrográficas, com cheias significativas nos rios Tejo, Mondego, Vouga, Sorraia e Guadiana, associadas à saturação dos solos e à subida rápida dos caudais. Estão ativados seis planos distritais de emergência e 84 planos municipais, numa resposta articulada com os serviços locais.
Localidades isoladas
Por todo o país, registaram-se derrocadas, inundações e cortes de acessos, com evacuações preventivas na Costa de Caparica, constrangimentos rodoviários e ferroviários na Grande Lisboa, estradas e localidades isoladas no Oeste, Lezíria e Médio Tejo, além de vias submersas, parques ribeirinhos inundados e impactos diretos em infraestruturas críticas, como o acesso ao hospital de Portalegre, num cenário acompanhado de perto pelos serviços municipais e pelos meios nacionais de emergência.
Há populações deslocadas em vários distritos, com especial incidência em Santarém, Leiria, Castelo Branco e Setúbal, algumas por motivos preventivos, mantendo-se operações de apoio logístico às localidades isoladas através de veículos todo-o-terreno e embarcações, assegurando o fornecimento de bens essenciais e medicação.
Valor dos caudais não era atingido desde 1997
Mário Silvestre alertou ainda para o aumento muito significativo dos caudais no Tejo, provocado pelas descargas das barragens espanholas, que poderão chegar a valores que já não eram atingidos desde 1997, exigindo particular prudência das populações ribeirinhas.
O comandante sublinhou que as cheias no Tejo são lentas, permitindo alguma antecipação, mas insistiu na necessidade de retirar bens das zonas inundáveis e abandonar preventivamente as habitações sempre que aconselhado.
As autoridades reforçam as recomendações para que ninguém atravesse estradas inundadas, evite túneis, passagens inferiores e margens de cursos de água, e não se aproxime de zonas de descarga das barragens.
"Trinta centímetros de água podem imobilizar um veículo ou arrastar uma pessoa", advertiu o comandante nacional, lembrando que o comportamento individual continua a ser determinante para evitar vítimas num episódio marcado por "muitas, mas muitas inundações" em todo o país.

