
O candidato às eleições presidenciais, Luís Marques Mendes
Foto: Estela Silva/Lusa
O candidato presidencial Luís Marques Mendes considerou, este domingo, "atípico" o facto de nesta campanha eleitoral haver "um candidato, que talvez em constante desespero pelas sondagens, se especializou em dizer mal".
"Há um candidato que se especializou em dizer mal de mim. Tem de dizer mal de mim e da minha candidatura todos os dias. Todos os dias são ataques pessoais. Todos os dias são insinuações. Sempre sem provas. Todos os dias está obcecado pela minha candidatura", afirmou Marques Mendes durante um almoço com apoiantes no Fundão, no distrito de Castelo Branco.
Sem nomear Henrique Gouveia e Melo, que hoje voltou a referir-se a Marques Mendes, para criticar a sua participação no Conselho de Estado, o candidato apoiado pelo PSD e o CDS-PP disse que o objetivo desses ataques é tentar desanimá-lo e condicioná-lo.
"Mas se pensam que me condicionam, estão enganados. Se pensam que me desanimam, tirem o cavalinho da chuva. Eu estou aqui para fazer uma campanha sem responder a provocações populistas, a falar do país, dos problemas dos portugueses e a apresentar medidas e propostas positivas para o nosso futuro", afirmou. Em contraponto a "alguns, que querem casos e casinhos, eu quero falar de causas. De causas para o país", sublinhou.
Marques Mendes defendeu que "é normal, é natural e é desejável que neste arranque de campanha se fale ao país e se fale do país", dizendo ser essa a sua postura.
O candidato também visitou duas Instituições Particulares de Solidariedade Social, a Mutualista na Covilhã e a Santa Casa da Misericórdia no Fundão, terminando o périplo no Mercadinho de Natal em Castelo Branco. Na Beira Baixa voltou a sublinhar que uma das suas causas e que será uma prioridade da sua presidência, se for eleito, é o interior, que, reitera, será o tema central da sua primeira presidência aberta, em Trás-os-Montes e Beiras, com foco na educação e no emprego.
Conselho de Estado são "três horas a menos" na campanha
Marques Mendes desvalorizou o que considera ser um "polémica sem sentido" em torno da sua participação no Conselho de Estado, afirmando que são apenas "três horas a menos na campanha".
"Participar na reunião do Conselho de Estado significa apenas três horas a menos na campanha. Não tenho problema nenhum com isso", afirmou Marques Mendes sobre a reunião convocada para dia 9 de janeiro, dez dias antes das eleições presidenciais, e onde participa como conselheiro de Estado, assim como o candidato e líder do Chega, André Ventura.
Para Marques Mendes, o presidente da República marcou um Conselho de Estado "porque as coisas estão a acelerar e tem, por isso, razão de ser, porque esta reunião pode ser importante perante as decisões que se estão a tomar relativamente à Ucrânia".
O candidato considera assim que "é uma polémica que não faz sentido". "Eu vou ao Conselho de Estado. Quem se poderia eventualmente queixar desta decisão sou eu e o André Ventura, porque somos os dois conselheiros. Mas ninguém perde eleições por três horas de diferença", sublinha.
André Ventura apelou no sábado ao presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que adie a reunião do Conselho de Estado para depois de uma eventual segunda volta das eleições presidenciais, que, a verificar-se se realiza no dia 8 de fevereiro.
O candidato Henrique Gouveia e Melo declarou que ser-se membro do Conselho de Estado não é compatível com ser-se candidato presidencial, referindo-se apenas a Marques Mendes. "Não só porque tem acesso a informação privilegiada, como está numa função de Estado que não é compatível com o facto de ser candidato", declarou. "Se fosse eu, tinha pedido ao senhor presidente da República para sair do Conselho de Estado logo que me tivesse candidatado. Isso não aconteceu, acho mal, é a minha opinião, mas é o doutor Luís Marques Mendes que vai ter de pensar se ser conselheiro de Estado e ser candidato em simultâneo é uma coisa boa ou má", apontou.
Na atual legislatura, a Assembleia da República, ao fim de mais de seis meses, ainda não elegeu os cinco membros que lhe compete indicar para o Conselho de Estado. Nos termos da Constituição, os conselheiros eleitos pelo parlamento, em cada legislatura, mantêm-se em funções até à posse dos que os substituírem. Assim, continuam a representar o parlamento Carlos Moedas (PSD), Pedro Nuno Santos e Carlos César (PS) e André Ventura - todos eleitos em 2024. Também fazia parte deste órgão o fundador do PSD e antigo primeiro-ministro, Francisco Pinto Balsemão, que morreu em 21 de outubro.
Entre os membros do Conselho de Estado nomeados por Marcelo Rebelo de Sousa, está Luís Marques Mendes, a antiga ministra e atual vice-presidente do PSD Leonor Beleza, a escritora Lídia Jorge, a maestrina Joana Carneiro e o antigo dirigente do CDS António Lobo Xavier.
São membros do Conselho de Estado, por inerência, os titulares dos cargos de presidente da Assembleia da República, primeiro-ministro, presidente do Tribunal Constitucional, provedor de Justiça, presidentes dos governos regionais e antigos presidentes da República.
