
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina
André Luís Alves / Global Imagens
O presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, defendeu esta tarde de quarta-feira que a matriz de risco já definida pelo Governo, que deverá entrar em vigor amanhã, deveria ser "adaptada" tendo em conta o aumento do número de pessoas vacinadas.
"Estamos num quadro em que se podem tomar medidas para asfixiar menos a economia. Há oito meses o quadro era diferente, agora a vacinação está a avançar rapidamente. Não podemos fazer uma cópia do passado", sublinhou o autarca, depois de confirmar que o cenário mais provável é o concelho recuar nas medidas de desconfinamento. "Tudo leva a crer que se vai manter a aplicação que é conhecida da matriz de risco, veremos depois se é a adequada a este momento".
13866689
O líder da autarquia lisboeta reforçou várias vezes que "devem ser avaliados os instrumentos para que possamos não recuar" ou "recuar o menos possível no funcionamento da economia", um dia depois da ministra da Saúde admitir que poderemos voltar a recuar "se o contexto o exigir".
"Já temos historial em que sabemos bem como estas medidas de ajustamento diário, de dias e horas, muitas vezes têm um efeito dificilmente mensurável ou a eficácia que não é tão evidente", lembrou.
Para Medina "uma adaptação" da matriz de risco pode evitar prejuízos maiores. "Esta matriz de risco está neste momento adaptada a baixos níveis de vacinação. Deve-se ponderar o nível de vacinação em cada momento. Estamos com a vacinação mais avançada e aplicar a mesma grelha pode trazer os mesmos prejuízos e não trazer os benefícios que trouxe no passado e acho que isso deve ser um elemento a ser avaliado", observou.
Medina lembrou ainda que se for aplicada a matriz de risco definida haverá "implicações em horários de funcionamento" de estabelecimentos comerciais. "A mais relevante é a restrição do horário da restauração, às 15h30 de sábado, e o não funcionamento durante o resto do fim de semana. É a restrição com mais impacto".
Nas críticas ao Governo, algumas subliminares, o presidente da Câmara de Lisboa deixou a entender ainda que não concorda com a limitação de circulação de e para a Área Metropolitana de Lisboa (AML), tomada no último fim-de-semana. O autarca disse que "não tem nenhum indicador da eficácia" desta medida.
"Não tenho nenhum elemento da avaliação da eficácia dessa medida. Confio que a decisão tomada pelo Governo não é no sentido da redução da incidência dentro da AML, mas de tentar reduzir o ritmo ao qual a nova variante (Delta) se espalha no país e de não de evitar que a incidência aconteça, porque vai naturalmente acontecer", afirmou.
13866689
