
Árvores de grande porte caíram sobre postes interrompendo o transporte da eletricidade e dos fios de fibra ótica
Foto: Paulo Cunha / Lusa
A depressão Kristin, que varreu Portugal continental durante a madrugada e manhã desta quarta-feira, deixou um rasto de destruição que se traduziu em milhares de casas sem eletricidade e falhas generalizadas nas comunicações, numa das mais severas intempéries dos últimos meses.
Pelas seis da manhã, cerca de um milhão de pessoas chegou a estar sem energia elétrica e, ao início da tarde desta quarta-feira, a E-Redes, responsável pela manutenção das redes elétricas, comunicou que ainda havia 529 mil clientes que permaneciam sem luz, com o distrito de Leiria - por onde a tempestade entrou em território continental - a concentrar mais de metade dos casos. A empresa explicou que a rede elétrica foi "bastante impactada" pelo vento forte e pela chuva intensa, que causaram danos significativos na infraestrutura de distribuição.
Segundo a E-Redes, as condições meteorológicas adversas dificultaram a intervenção das equipas durante a madrugada e início da manhã, mas a melhoria do estado do tempo permitiu, entretanto, retomar os trabalhos de reposição.
Estiveram mobilizados cerca de 1200 técnicos, a atuar em avarias registadas nos níveis de alta, média e baixa tensão.
Numa nota, a E-Redes lembrou que "a rede elétrica foi bastante impactada, causando vários danos na infraestrutura física de distribuição de eletricidade".
Danos graves nas comunicações
A tempestade atingiu também em força as telecomunicações, deixando mais de 300 mil clientes sem serviços de telefone, Internet ou televisão. De acordo com a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), todos os principais operadores - MEO, NOS, Vodafone e Nowo - registaram falhas, com maior impacto nos distritos de Coimbra, Castelo Branco, Faro, Leiria, Lisboa, Portalegre, Porto, Santarém, Setúbal e Viseu.
As operadoras apontam danos graves nas infraestruturas, incluindo múltiplos cortes em linhas de fibra ótica, agravados pelos cortes de eletricidade. A Vodafone confirmou falhas nas redes, sobretudo na Região Centro do país, enquanto a MEO admitiu perturbações generalizadas nos serviços, com especial incidência em Leiria, Santarém, Pombal e Coimbra. Ambas ativaram planos de contingência, com milhares de técnicos no terreno a trabalhar na reposição dos serviços.
Fonte oficial da MEO afirmou ao JN que, "devido à depressão Kristin que se fez sentir esta madrugada de forma muito severa", se verificaram quebras "em todos os serviços, com especial incidência na rede móvel, devido à destruição de infraestruturas".
A mesma fonte disse que a empresa ativou "o seu plano de atuação de crise que prevê catástrofes naturais desta ordem".

