
Ministra Ana Lúcia Amaral e secretário de Estado Paulo Ribeiro no centro da fotografia
Foto: Paulo Simões Ribeiro/Instagram
A ministra da Administração Interna e o secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna participaram a 28 de janeiro, horas depois da passagem da tempestade Kristin, numa cerimónia oficial da GNR.
O Bloco de Esquerda questionou, esta sexta-feira, a tutela sobre a "gestão de prioridades", num dia em que o país "enfrentava o auge da devastação" causado pelo mau tempo.
"A gestão de uma crise com a magnitude e a letalidade da depressão Kristin [na madrugada de 28] impõe um dever de dedicação exclusiva e de centralização de esforços operacionais absolutamente incompatível com o cumprimento de agendas institucionais de caráter secundário", disse o deputado Fabian Figueiredo, na pergunta entregue esta sexta-feira, na Assembleia da República.
Maria Lúcia Amaral e Paulo Ribeiro participaram numa cerimónia da GNR, a 28 de janeiro, no Quartel do Carmo, em Lisboa. O evento incluiu a promoção de oficiais generais, nomeadamente da primeira mulher brigadeiro-general, e a entrega de espadas.
O deputado bloquista questiona se os dois governantes foram "objeto de uma dispensa formal ou autorização expressa, concedida pelo primeiro-ministro, que os desonerasse das suas funções de coordenação estratégica ou da sua obrigatória permanência junto do Centro de Operações e Resposta do Governo (CORGOV)".
Publicações apagadas
Dois dias depois da passagem da tempestade Kristin, a ministra da Administração Interna afirmou que a sua ausência nas áreas afetadas pelo mau tempo foi porque esteve a fazer um "trabalho de informação, reflexão, planeamento e coordenação" no gabinete.
Numa pesquisa pela Internet, é possível perceber que houve publicações da força de segurança nas redes sociais sobre a cerimónia oficial, que se encontram agora indisponíveis. O mesmo aconteceu com conteúdos publicados pelo secretário de Estado no Facebook. Algumas fotografias do evento continuam, porém, disponíveis na rede social Instagram e foram publicadas há quatro dias.
Fabian Figueiredo referiu que a eliminação dos conteúdos das redes sociais da GNR coloca em dúvida se "houve uma tentativa deliberada de ocultar a presença da tutela numa cerimónia festiva enquanto o país colapsava".
"Atenção dividida", diz BE
Tal como já o tinha feito numa outra pergunta ao Ministério da Administração Interna, o bloquista criticou o envio de um email pelo secretário de Estado aos militantes do PSD a anunciar a sua recandidatura à distrital de Setúbal.
"Embora o governante tenha alegado que o envio foi um agendamento automático, o facto de a sua atenção estar dividida entre a gestão partidária e a crise nacional durante o rescaldo da 'tempestade mais mortífera deste ciclo' é politicamente insustentável", apontou o deputado do BE.
O JN já questionou o Ministério da Administração Interna sobre a presença dos governantes na cerimónia da GNR, horas depois da tempestade, e aguarda por resposta da tutela.

