
Luís Neves deixa a liderança da PJ para assumir a segurança interna do país
Foto: Pedro Gomes Almeida
Luís Neves é o novo ministro da Administração Interna. A escolha de Luís Montenegro recaiu sobre o diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), onze dias depois de Maria Lúcia Amaral não resistir ao coro de críticas de que foi alvo devido à forma como geriu a prevenção da tempestade Kristin. O PJ recebe em mãos a revisão do modelo da Proteção Civil, as reivindicações salariais nas forças de segurança ou o caos nos aeroportos nacionais. Da Esquerda à Direita, a reação à nomeação foi consensual, com o Chega a prometer vigilância. Os oficiais da PSP consideraram a escolha "atípica".
O nome do novo ministro da Administração Interna foi mantido em segredo até à última hora e saiu ao lado de todas as personalidades sondadas pela opinião pública nos últimos dias. Foi Marcelo Rebelo de Sousa a dar conta da boa nova, numa nota publicada no portal da Presidência. A tomada de posse acontece segunda-feira, pelas 10 horas, no Palácio Belém. Luís Neves assume as funções na administração interna, oito anos depois de liderar a PJ, onde fez carreira desde 1995.
O novo governante chega numa altura em que o Executivo de Montenegro apresentou a primeira versão do programa "Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência" para recuperar os territórios afetados pelo mau tempo e numa altura em que ainda há milhares de famílias sem eletricidade.
Surpresa e atípica
Face à nomeação, a primeira remodelação do Governo da Aliança Democrática, as reações foram unânimes e sem grandes críticas. Desde logo do próprio Executivo. Leitão Amaro, que lidera as políticas de imigração, vincou o seu "trabalho de grande qualidade e de sintonia com a visão do Governo sobre a política de segurança". José Luís Carneiro falou numa personalidade forte num Governo frágil. O antigo ministro da Administração Interna destacou também as palavras do diretor da PJ no que toca aos estrangeiros. "Teve uma posição muito clara sobre essa matéria e pode ser que o ministro da Presidência possa aprender alguma coisa", atirou, mostrando esperança "que seja bem-sucedido no ministério que é um dos mais importantes na soberania".
Já Rui Gomes da Silva, ministro sombra da Justiça do Chega, pediu que "não se fique pelas perceções" e tenha "disponibilidade, capacidade, força e empenho suficiente para resolver os problemas", afirmou. O grupo parlamentar do Chega vai chamar Luís Neves à Assembleia da República.
Quanto aos profissionais na tutela do MAI, o Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia considerou atípica e imprevisível a escolha. "Não me recordo de ver um diretor de uma polícia ser nomeado para forças governativas", disse à Lusa o presidente do SNOP, Bruno Pereira. "Veremos agora qual será a sua posição do ponto de vista reformista", disse. António Nunes, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, pediu um ministro ao lado dos "problemas dos bombeiros" para resolver a "questão do comando nacional de bombeiros e as carreiras dos bombeiros com contrato de trabalho nas associações humanitárias". Também a Associação dos Profissionais da Guarda apelou para uma mudança de paradigma, caso contrário os militares avançam com protestos.
O dia um é segunda-feira, naquela que será a última posse dada de Marcelo como presidente da República.

