
Luís Neves tomou posse como novo ministro da Administração Interna
Foto: João Relvas/Lusa
Luís Neves tomou esta segunda-feira posse como novo ministro da Administração Interna. No final da cerimónia, no Palácio de Belém, garantiu aos jornalistas que assume o cargo sem reservas por o diretor nacional da Polícia Judiciária "não investigar ninguém".
A tomada de posse de Luís Neves ficou, esta segunda-feira, marcada por avisos. De forma simples e direta, o novo ministro da Administração Interna garantiu que assume o cargo sem reservas, apesar de ter transitado da Polícia Judiciária (PJ), que tem inquéritos abertos ao primeiro-ministro. Aos partidos, em particular ao Chega, esclareceu que rejeitará propostas que "violem a sua consciência".
Transparência Internacional e Frente Cívica quebraram o coro de elogios à escolha de Luís Neves como sucessor de Maria Lúcia Amaral. Dirigentes das duas entidades defenderam que a transição do diretor nacional da PJ para o Governo pode levantar dúvidas quanto a um potencial conflito de interesses, nomeadamente de influência política na Judiciária, por causa das investigações em curso a membros do Executivo, como às obras em casa do primeiro-ministro, ao ministro das Infraestruturas ou ao secretário de Estado da Agricultura.
Numa curta cerimónia na Sala dos Embaixadores do Palácio de Belém, em Lisboa, também tomaram posse, reconduzidos, os três secretários de Estado deste ministério: Paulo Simões Ribeiro, secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, Telmo Correia, da Administração Interna, e Rui Rocha, da Proteção Civil.

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"O diretor nacional não investiga ninguém", frisou aos jornalistas Luís Neves, no final da cerimónia, no Palácio de Belém. O novo ministro da Administração Interna assegurou que não teve acesso a informação confidencial sobre os inquéritos em curso, pelo que assume o cargo sem reservas.
"Sempre fui um servidor público, dei toda a minha vida e disponibilidade ao Estado, ao país, às pessoas. E é isso que eu pretendo fazer neste momento de grande exigência", declarou, justificando porque aceitou a proposta.
"Sou mais um da GNR, mais um da PSP, mais um da Proteção Civil... De todos os que estão sob a tutela da Administração Interna", frisou Luís Neves.
Apelo aos autarcas
Tendo sido uma voz contra a ligação direta entre a imigração e a insegurança, uma das bandeiras ideológicas do Chega, com quem agora terá de se relacionar no Parlamento, o novo ministro prometeu aos partidos que terá "humildade" suficiente para acolher todas as "propostas positivas". As restantes, prometeu, "serão discutidas" e as que violem a sua "consciência" serão afastadas de forma fundamentada.
Luís Neves prometeu também à PSP e GNR trabalhar para dar às forças de segurança "os melhores meios possíveis". "Trabalhar na Administração Interna é trabalhar na prevenção, na antecipação, na proatividade", sublinhou, assegurando estar sempre aberto à cooperação.

Foto: João Relvas/Lusa
Quando ainda muitos estão sem eletricidade em casa ou fazem contas aos estragos provocados pelas tempestades, Luís Neves lançou um apelo aos autarcas: "Eu sou um homem da Beira Baixa, e tenho uma costela alentejana. Sei o que é o Interior do país, conheço os anseios e as dificuldades das pessoas. E, por isso, conto com todos os autarcas para juntos podemos levar por diante aquilo que é a missão que hoje assumi".
"O papel do diretor nacional da Polícia Judiciária é organizar, é prover meios para uma instituição. Felizmente, ao longo de 80 anos da Instituição Polícia Judiciária, que os fez no passado dia 20 de outubro, a sua organização, o seu modelo de base, permite que a informação esteja estanquizada. Por isso, senti-me completamente tranquilo, e muito tranquilo, relativamente à minha informação", defendeu.
"Eu sou um homem da Beira Baixa, e tenho uma costela alentejana, sei o que é o interior do país, conheço os anseios e as dificuldades das pessoas, e por isso conto com todos os autarcas, com todo o poder local, para juntos podemos levar por diante aquilo que é a missão que hoje assumi"
Voltou à PJ já com fato de ministro
Depois de tomar posse do cargo de ministro da Administração Interna, pelas 10 horas, Luís Neves voltou à sede da Polícia Judiciária, em Lisboa, para fazer um discurso de despedida perante os funcionários com funções de coordenação e chefia. O auditório da PJ, com 120 lugares, encheu-se de dirigentes de Lisboa e das unidades orgânicas de norte a sul do país. Tinham sido convocados através de email, recebido quinta-feira, que não esclarecia o motivo da reunião, marcada para as 10.30 de ontem. Especulou-se muito, inclusive que Neves se iria despedir, mas isso só se confirmaria, no sábado, pelas notícias.
Reações
Consenso aguardado
O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, espera que o "consenso generalizado" sobre a escolha de Luís Neves se traduza no reconhecimento da sua ação política.
Escolha "esdrúxula"
Fernando Negrão, antigo diretor-geral da PJ e ex-ministro da Justiça do PSD, criticou a escolha de Luís Montenegro, considerando que o primeiro-ministro "teima em escolhas esdrúxulas para uma área vital".
Resposta concreta
A presidente da IL, Mariana Leitão, defendeu que a nomeação é a última oportunidade de Luís Montenegro "dar respostas concretas ao país".

